Ricardo Gomes, enfim, se apresentou aos jogadores e torcedores do São Paulo. Ontem, em seu primeiro dia de trabalho no novo clube, o treinador mostrou personalidade e um perfil de disciplinador. Tanto que prometeu colocar um ponto final na briga de vaidades que tomou conta do elenco são-paulino, principalmente depois que Borges, Washington, Dagoberto e André Lima, os quatro atacantes do grupo, manifestaram indignação publicamente quando o comando ainda era de Muricy Ramalho.
“Briga de vaidade? Não há a mínima possibilidade”, garantiu Ricardo Gomes, que mandou um recado direto para os insatisfeitos. “O São Paulo é um time tão grande que fica difícil um jogador ficar à frente do clube. Não tem espaço para este tipo de coisa. O comportamento aqui tem de ser exemplar. Jogador ganha posição dentro do campo e não dando entrevista”, completou o novo treinador.
Quando esteve no comando do Fluminense e do Flamengo, ambos em 2004, Ricardo Gomes passou por situações semelhantes. Que deixaram um trauma. No Fluminense, onde fez carreira como jogador na década de 80, ele tentou apaziguar os ânimos dos atacantes Edmundo e Romário, que nunca foram de medir palavras quando brigavam. E no Flamengo, a bronca foi do também atacante Dimba.
“Acho que perdi duas vezes o meu emprego por causa disso. A minha experiência foi essa”, lembrou Ricardo Gomes. A direção são-paulina espera que, agora, o desfecho possa ser diferente. Se não, cabeças vão rolar. “Vai depender do treinador. Mas uma mudança como essa já vai dar uma apaziguada nos ânimos”, afirmou o vice-presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva.
O dirigente afirmou depois da derrota para o Corinthians, no último domingo, que Ricardo Gomes era uma incógnita como treinador. “Fui mal compreendido. Temos consenso sobre o Ricardo Gomes. Incógnita é o seu resultado no São Paulo”, explica Carlos Augusto de Barros e Silva.
No primeiro treino, já ontem, Ricardo Gomes orientou um trabalho de ataque contra defesa. “Pelos jogos que acompanhei, a equipe tem posse de bola, mas não leva perigo ao gol adversário. Já comecei um treinamento para tentar traduzir o domínio em gols”, contou. A maior meta do novo treinador é descobrir porque o time não joga bem. “Não deu liga. Por quê? Não tenho uma resposta. Vou tentar descobrir no dia-a-dia, tentar um contato com o Muricy. Se achar que os jogadores não são complementares, pedirei reforços.”
Reunião
A Independente, principal torcida organizada do São Paulo, cancelou o protesto que faria ontem durante a apresentação de Ricardo Gomes, mas três integrantes da facção foram liberados pela diretoria do clube para entrar no CT e tiveram uma breve reunião com uma comissão de jogadores. A conversa aconteceu enquanto o novo treinador era apresentado oficialmente à imprensa. Participaram do bate-papo o zagueiro André Dias, o atacante Washington, o meia Jorge Wagner e o volante Eduardo Costa.