Conheço o atual prefeito há bastante tempo, antes mesmo de ter se elegido vereador pela primeira vez. Considero-o bem preparado para a função, honesto e bem intencionado, possuindo ainda uma impressionante disposição para trabalhar e se fazer presente procurando prestigiar os mais diferentes eventos.
Torço para que obtenha sucesso no cargo, até porque um bom desempenho pessoal será consequentemente bom para a cidade. Entretanto, toda esta vitalidade e vontade de “abraçar o mundo” resultam em certa dispersão... algumas possibilidades óbvias, simples e de rápida aplicação não são consideradas, talvez em parte devido ao turbilhão de responsabilidades, preocupações, ansiedades...
Certamente a atual administração já identificou uma extensa relação de demandas públicas, sendo que para resolver ou minimizar a grande maioria delas precisa-se de tempo, planejando-se as ações antes de implementá-las. Porém, algumas alternativas para obtenção de melhorias são óbvias e atitudes para realizá-las poderiam ter sido tomadas, pois já se passaram mais de 6 meses de mandato (12,5 % do total).
Cito como exemplo a situação em que se encontra uma Secretaria de importância vital ao município: a Seplan. É notório que a mesma vem definhando através do tempo, quando deveria cada vez mais se estruturar para atender as crescentes necessidades e o aumento da demanda dos serviços por ela prestados. Toda análise e aprovação de projetos para execução de novas obras e empreendimentos passam obrigatoriamente por ela.
Esta secretaria tem ainda muitas outras atribuições: cadastro físico territorial, fiscalizações, elaboração de projetos de infraestrutura urbana e de próprios municipais, outras... Para desenvolver tantos serviços com bom desempenho, a Seplan já chegou a contar com quase 100 funcionários, num período em que as demandas de nossa cidade eram bastante inferiores as atuais. Hoje, menos de 60 funcionários prestam efetivamente serviços nesta Secretaria.
Face às minhas atividades profissionais, tive oportunidade de manter contato com quase a totalidade desses servidores e posso assegurar que a imensa maioria deles se aplicam e são assíduos em suas atividades, mas estão sobrecarregados e submetidos a um volume de trabalho estressante, resultando inevitavelmente numa capacidade de responder com agilidade as demandas existentes. Este quadro atrasa a materialização de potenciais investimentos, provocando em certos casos desistência da realização de empreendimentos que dependam de prazos, quando estão atrelados a momentos mercadológicos. Tratam-se das oportunidades sazonais de negócios por parte da iniciativa privada.
Desperdiçar oportunidades de investimentos traduz-se em atrasar o desenvolvimento do município, retardando potencial aumento de arrecadação; este aumento que naturalmente acompanha os investimentos efetivamente realizados é fundamental para que o poder executivo consiga atender os anseios da população com mais eficiência.
Em recente audiência pública, a Secretaria de Economia e Finanças informou que os efeitos da crise econômica global não diminuíram o aporte de recursos aos cofres públicos, possibilitando, portanto, um ligeiro aumento na folha de pagamento. A contratação (através de concurso público) de 3 ou 4 profissionais de engenharia ou arquitetura, somados a 4 ou 5 técnicos em edificações, certamente não resultariam num acréscimo de despesas que ultrapassassem os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O ganho de produção com as contratações sugeridas proporcionariam um aumento de investimentos, fomentando a economia local e a geração de empregos, resultando num acréscimo de arrecadação, sem que para tanto fossem necessários a criação de novos impostos ou majoração de alíquotas dos existentes, ou seja, sem aumento da já tão elevada carga tributária.
Estes profissionais também poderiam dedicar parte de sua carga horária de trabalho para auxiliarem o desenvolvimento de projetos de infraestrutura urbana, indispensáveis e de fundamental importância para obtenção de recursos junto ao Estado e a União Federal. É fato que município de menor porte que Bauru conseguiram mais recursos desta natureza, por um só motivo: apresentaram mais projetos!!! Administradores públicos mais eficientes enxergaram algo tão simplório e largaram na frente.
Os argumentos expostos ao longo deste texto apenas escancaram o óbvio: um setor estratégico e tão visceralmente ligado ao desenvolvimento do município não pode “andar para trás”. Audácia, arrojo e muita coragem são indispensáveis a qualquer administração. Boa sorte, Rodrigo!
Ronaldo Luiz de Oliveira - engenheiro civil