Esportes

Copa das Confederações: Ufa!

Luiz Antônio Prósperi e Silvio Barsetti
| Tempo de leitura: 3 min

Os jogadores do Brasil se reuniram no centro do campo, após o apito final, e aos abraços e pulos comemoraram como se fossem campeões. A poucos metros dali, os sul-africanos formaram uma roda e rezaram. Quem deveria recorrer às orações era Dunga. Difícil ver um jogo em que a seleção não joga nada e no final sai com a vitória. Diante da África do Sul, ontem, no Ellis Park, em Johannesburgo, foi assim. Venceu por 1 a 0 e se classificou para a final da Copa das Confederações contra os Estados Unidos, no próximo domingo.

Deu dó dos jogadores de Joel Santana. Eles acreditaram até o final, mas não deu. Antes de o jogo começar, os sul-africanos cantaram o hino nacional com forte emoção. Prenúncio de uma noite inimaginável no inverno gelado de Johannesburgo. Havia uma atmosfera de otimismo. “Sim, nós podemos”. E ainda a voz única das vuvuzelas.

Senhor da razão, o Brasil não pensou que poderia ter sérias dificuldades no primeiro tempo. O gol viria da forma mais natural possível. Afinal de contas, de um lado estavam os pentacampeões e do outro, os aprendizes. Quando a bola rolou, o quadro se inverteu. Os sul-africanos não se intimidaram. Nem entraram em desespero. Sob a régia do brasileiro Joel Santana, de muita quilometragem na futebol, aquele que diz que não tem um currículo e sim um testamento, o time da África do Sul se impôs.

Com toques curtinhos, sempre triangulares, eles envolveram a seleção brasileira. Não atacaram como uma manada. Foram de mansinho, medindo os passos, quase em silêncio, como os leopardos na hora do bote na presa. E por duas ocasiões quase marcaram com Pienaar. Chutes que assustaram Julio Cesar e estragaram um pouco a cara de paisagem de Dunga à beira do campo.

O treinador do Brasil em nenhum momento reorganizou seu time. Gilberto Silva e Felipe Melo estavam perdidos, ilhados pelos sul-africanos. Tão perdidos que, por pelo menos três vezes, Lúcio chamou a atenção de Gilberto. Eles discutiram sério. Outro problema grave da seleção brasileira: não encaixou um mísero contra-ataque. Joel anulou a saída de bola do time de Dunga com uma marcação exemplar. Sem o contragolpe, nada feito. Quanto aos “Bafana Bafana” (apelido da equipe sul-africana), saíram para o intervalo aplaudidos de pé pela torcida.

No segundo tempo, tudo se repetiu. Os anfitriões envolveram os brasileiros, mas não foram agudos na hora de chegar ao gol. A seleção, sem saída, esperava por um milagre. Aconteceu, aos 42 minutos. Daniel Alves, que havia entrado improvisado na lateral esquerda na vaga de André Santos, aos 36, cobrou a falta sofrida por Ramires e fez o gol da vitória. Um castigo para os sul-africanos. O Brasil cumpria com a sua obrigação.

No próximo domingo, às 15h30, novamente em Johannesburgo, o Brasil joga pela quarta vez uma decisão de Copa das Confederações. Já ganhou duas (1997, contra a Austrália, e 2005, contra a Argentina) e perdeu para o anfitrião México, em 1999. Os Estados Unidos chegam a uma inédita final na competição - as melhores colocações foram os terceiros lugares em 1992 e 1999.

Mais cedo, às 11h, em Rustenburgo, África do Sul e a antes favorita Espanha duelam pelo terceiro lugar. As duas seleções se enfrentaram na fase de classificação e os espanhóis se deram melhor com a vitória por 2 a 0.

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