Regional

Reunião debate avanço de doença sobre lavouras de laranja da região

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Espírito Santo do Turvo - O prefeito de Espírito Santo do Turvo, João Adirson Pacheco, reuniu-se com representantes do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) para discutir soluções práticas para conter o avanço de uma doença conhecida como greening nas lavouras de laranja da cidade e da região. Essa doença, considerada a mais nociva do setor, é causada por uma bactéria que se dissemina com rapidez, resultando em enormes prejuízos às plantações.

Segundo o gerente técnico do Fundecitrus, Cícero Augusto Massari, em um primeiro momento, o órgão quer chamar a atenção dos municípios para a importância da busca de alternativas ao plantio da murta, uma planta ornamental comum nas cidades, que abriga o mosquito vetor da doença. “Essa bactéria e esse inseto incidem em citrus, mas elas também atacam uma planta conhecida como murta”, revela. “O nosso contato com as prefeituras é no sentido de que elas possam estar providenciando o controle dessa planta”, revela.

Paralelamente a essa ação, o gerente explica que uma equipe do Fundecitrus estará orientando os produtores de laranja da região sobre como proceder diante de qualquer sinal da doença. “Temos que manejar os pomares para que eles sofram menos os danos dessa praga”, afirma. “Primeiro, o produtor tem que comprar uma muda sadia. Em segundo, o produtor tem que controlar o inseto vetor. Em terceiro, ele deve inspecionar e eliminar a planta doente”.

Massari conta que o greening foi detectado pela primeira vez em 2004. Hoje, a doença estaria oficialmente constatada em 216 municípios do Estado. “Ela tem uma incidência muito grande em Araraquara e menor em outros municípios”, diz. De acordo com o gerente, na África e na Ásia, o greening teria causado grandes prejuízos às plantações. “Uma planta nova, quando infectada, não chega nem a produzir”, afirma.

O prefeito de Espírito Santo do Turvo, João Adirson Pacheco, vai articular o agendamento de encontros entre o Fundecitrus e as prefeituras da região para discutir o tema de forma regionalizada. De acordo com ele, cinco grandes produtores da cidade detectaram focos do greening em suas plantações de laranja. Outros cinco pequenos produtores também já tiveram suas lavouras afetadas. Segundo ele, é preciso fazer essa mobilização dos produtores, principalmente nos demais municípios.

Na sua opinião, a medida mais urgente a ser adotada pelas prefeituras refere-se à exterminação da murta para se evitar a disseminação da doença por meio do mosquito que transmite a bactéria de uma planta a outra. Esse trabalho, segundo ele, deve contar com o apoio de órgãos como a Polícia Ambiental e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati). “O nosso município vive praticamente da agricultura. Com uma doença assim, o pessoal começa a plantar eucalipto e acaba a geração de emprego e a economia do município”.

As reuniões, segundo Pacheco, deverão começar em julho, com o envolvimento de prefeitos, presidentes de Câmaras Municipais e técnicos da área. Consórcios como a UMMES (União dos Municípios da Média Sorocabana) e a AMMEP (Associação dos Municípios da Média Paulista) também deverão ser convidados para debater a doença, que afeta de maneira mais grave os pequenos produtores de laranja. “Existe uma grande preocupação da Fundecitrus com essa doença”, revela. “Nessa região onde estamos, são 25 milhões de pés (de laranja). Principalmente o pequeno produtor pode perder bastante com isso”.

____________________

O que é o greening?

As árvores afetadas pelo greening apresentam um ramo ou galho, que se destaca pela cor amarela em contraste com a coloração verde das folhas dos ramos não afetados.

Segundo o site www.agrosoft.org.br, as folhas amareladas, ou sintomáticas, apresentam coloração amarela pálida, contrastando com áreas de cor verde, formando manchas irregulares, ou cloroses assimétricas. A bactéria aloja-se no floema, e por ser uma doença que atinge o transporte de seiva elaborada, todo o metabolismo da planta pode ser afetado. As plantas doentes tendem a derrubar folhas e frutos precocemente, além de produzirem frutos deformados imprestáveis para comercialização. Em casos severos, inviabilizam economicamente grandes áreas produtivas.

Comentários

Comentários