Santa Cruz do Rio Pardo - A resolução 044/2009, que proíbe a queima de cana-de-açúcar das 6 às 22h, não está sendo cumprida no interior de São Paulo. Publicada no último dia 17 pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a decisão entrou em vigor no último dia 22 e só será suspensa em 30 de novembro.
Na quarta-feira, a reportagem flagrou canaviais em chamas fora do horário permitido na região de Ourinhos (120 quilômetros de Bauru). Um deles ardia desde as 17h30 na margem direita da rodovia Orlando Quagliato (SP-327), no km 18, ao lado do posto de combustíveis Cruzadão, no município de Santa Cruz do Rio Pardo. O trabalhador rural que ateava fogo nos talhões disse que a cana era de um produtor independente e tinha sido vendida para uma usina da região. Ele tinha feito aceiros para evitar que as chamas pulassem para outros talhões.
As labaredas e as chamas altas denunciaram outra queimada em área de uma usina de Canitar, também próximo da SP-327. Às 17h15, a fumaça formava uma nuvem espessa no céu, indicando que o fogo fora ateado algumas horas antes. No dia anterior - um dia após a entrada em vigor da resolução - um canavial era queimado por volta das 14h em Espírito Santo do Turvo. Frentistas de um posto de abastecimento disseram que a queima, durante o dia, só não era maior porque tinha chovido naquela madrugada.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria, a medida foi tomada porque, nesta época do ano, a poluição causada pela queima, aliada ao tempo seco, pode trazer sérios problemas para a população. A queima da palha da cana é feita para facilitar o corte braçal, mas até 2017 essa prática será eliminada no Estado. As usinas terão que colher a cana com máquinas.
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única) informou que, em 2009, pelo menos 50% dos canaviais paulistas serão colhidos sem uso do fogo. No entanto, o número de queimadas registradas este ano pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é 100% maior que no ano passado.
De 1 de janeiro a 25 de junho de 2008, foram registradas 2.453 queimadas. Este ano, no mesmo período, foram detectadas 4.979, segundo dados do Inpe. Uma das explicações é a de que o início da safra foi antecipado em cerca de dois meses.
A resolução da Secretaria prevê a proibição da queima também durante a noite, caso a umidade do ar esteja abaixo de 20%. A secretaria também informou que a fiscalização e autuação dos infratores cabe à Polícia Ambiental e à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). A prática deve ser denunciada a esses órgãos.