Delegados, investigadores e um comerciante que teriam recebido propina em um esquema envolvendo jogo eletrônico ilegal na região do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4), foram indiciados pela Corregedoria Geral da Polícia Civil. Entre os policiais investigado, estão o ex-diretor do Deinter-4, Roberto de Mello Annibal, e o ex-delegado seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho. O caso ainda será relatado pela entidade à Justiça. A defesa do ex-seccional nega o envolvimento do delegado no caso. Annibal não foi localizado pelo JC.
No final de março, 52 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público (MP) à Justiça Federal de Jaú por suposto envolvimento com exploração de caça-níqueis, após investigação que se estendeu por mais de um ano. Ao todo, 26 pessoas foram presas na ocasião - os delegados não foram detidos. Os mandados de prisão foram cumpridos em Jaú, Rio Claro, Bauru e São Paulo. Também participaram da investigação o Grupo de Atuação Especial de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP núcleo de Bauru, da Procuradoria da República em Jaú e da Polícia Federal de Bauru.
De acordo com o informado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Corregedoria Geral da Polícia Civil instaurou inquérito para apurar denúncias de corrupção envolvendo cinco policiais e um comerciante da região de Bauru. O procedimento está em fase final de elaboração e vai ser encaminhado à Justiça. Segundo nota da pasta divulgada à imprensa, dos policiais investigado, quatro estão cumprindo funções burocráticas e um deles, um delegado de polícia, está aposentado. A Corregedoria também solicitou à Delegacia Geral de Polícia a instauração de um processo administrativo.
Informações divulgadas na edição de ontem do jornal Estado de S.Paulo apontam que o suposto esquema de cobrança de propina também envolvia leilões de carros apreendidos. Segundo a publicação, Nilton Martins, responsável pelo estabelecimento de Bauru, denunciou que tinha que pagar ao grupo para continuar tendo seus serviços utilizados. Ainda de acordo com o jornal, as microfilmagens de dois cheques de R$ 16 mil cada um assinados por ele mostram que no verso estava escrito “pagamento de propina para o Deinter-4”.
Atualmente, corre um processo para apurar a cobrança de propina envolvendo caça-níqueis na Justiça Federal de Jaú. Também existe inquéritos na Corregedoria para apurar o envolvimento de policiais no crime, além do procedimento administrativo. São dois procedimentos para apurar o esquema de caça-níqueis na Corregedoria e a denúncia sobre cobrança de propina envolvendo veículos está inserida em um deles.
De acordo com a defesa de Piccino Filho, o ex-delegado seccional de Jaú - que hoje atua no Deinter-4 e atualmente está de licença-prêmio -, foi citado no esquema dos leilões de veículos. Porém, a defesa ressalta que, quando houve a denúncia, o policial já não estava mais no comando da Ciretran de Bauru. Além disso, a defesa informa que o denunciante nem chegou a citar o nome de Piccino Filho. Procurado pelo Jornal da Cidade, Piccino Filho também nega as acusações de envolvimento no esquema de caça-níqueis. “É um absurdo”, afirma. “Vou me defender dentro do processo e tenho convicção que no fórum competente será comprovado tudo”, diz.
O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com o delegado Roberto de Mello Aníbal, que se aposentou no mês passado, mas não o localizou.