Política

Prefeitura vai abrir licitação para recuperação de viadutos

Monise Centurion
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O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou ontem que vai licitar os dois projetos executivos para reforma dos viadutos Mauá e 9 de Julho. A informação foi dada após o chefe do Executivo conhecer o laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que recebeu cerca de R$ 33 mil da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico para fazer a análise técnica.

“Os laudos não sugerem a demolição das estruturas e nem a interdição do Viaduto 9 de Julho, mas os danos apontados pelos técnicos são sérios. Por isso, vamos licitar a contratação do projeto e a execução da obra dos dois viadutos juntos”, afirma o prefeito, que encaminhou o laudo para a Secretaria Municipal de Obras. Segundo Rodrigo, a licitação deve se basear no projeto elaborado para a ponte Mary Dota.

O Viaduto Mauá, que está interditado desde 2008, apresenta deslocamento horizontal de 12,5 centímetros dos pêndulos em relação às bases. Este deslocamento corresponde à inclinação dos pêndulos de 7 graus da posição vertical, alterando as condições de estabilidade inicial do projeto. Com isso, houve um desaprumo dos pilares de cerca de 5 centímetros. As cortinas (muros que ligam dois pilares) foram rompidas e acompanharam o deslocamento dos pêndulos.

Segundo o laudo, as anomalias descritas alteraram substancialmente as condições iniciais de instabilidade, comprometendo a estrutura. Por essa razão, os técnicos afirmam que a interdição do viaduto deve ser mantida até que as anomalias existentes, como também o deslocamento de concreto, armaduras expostas e corroídas e a infiltração de água, sejam reparadas.

Além disso, o IPT constatou infiltração de água em vários pontos de pilares, vigas, lajes e a ausência de furos para drenagem na plataforma de escoamento de água, o que possibilita empoçamento. O laudo apresenta ainda danos no pavimento asfáltico e afundamento em regiões das calçadas.

Quanto ao Viaduto 9 de Julho, os funcionários do IPT informam que a estrutura não corre risco de interdição, como havia adiantado a reportagem do JC. Na análise, foram identificadas anomalias relacionadas ao desaprumo dos pilares, deslocamento e trincas, possivelmente ocasionadas pela ação do solo, que são significativas e devem ser reparadas. Em função da interdição do Viaduto Mauá, que reduziu as faixas disponíveis para o tráfego local, mas proporcionou a continuidade do uso das duas faixas do Viaduto 9 de Julho, os técnicos recomendam à Prefeitura de Bauru o monitoramento periódico da estrutura por meio de implantação de instrumentação adequada.

O IPT conclui, em sua análise, que as intervenções para recuperação e reforço das obras devem ser objeto de projeto estrutural detalhado. Esse projeto deve considerar, entre outros aspectos e adequações necessárias, além dos danos observados, o exame no local, nos dois encontros, das fundações, dos pilares e das cortinas em suas partes enterradas devendo-se, para tanto, prever escavações para as investigações.

Histórico

O viaduto Mauá foi interditado em setembro de 2008 por solicitação do Ministério Público (MP), devido a problemas estruturais. Na época, o MP convocou reuniões com representantes da prefeitura e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A interdição viária foi decidida após a apresentação de relatório técnico preliminar elaborado pelo órgão e, desde então, o viaduto permanece interditado. Embora aparentem ser uma obra única, as quatro pistas que interligavam a avenida Pedro de Toledo e a Vila Falcão são formadas por dois viadutos, o Mauá e o 9 de Julho.

As duas pistas no sentido bairro-Centro foram totalmente bloqueadas por conta de problemas estruturais em um dos viadutos que compõem essa via de acesso. Já as pistas do sentido contrário passaram a funcionar em mão-dupla. O Mauá está comprometido e o trânsito sobre ele está proibido. Já o 9 de Julho, mais recente, passou a receber sozinho o tráfego de veículos nos dois sentidos.

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