Piratininga - Uma fábrica clandestina de cigarros, talvez a maior já encontrada no Estado de São Paulo, avaliada em R$ 3 milhões, foi descoberta ontem pela Polícia Civil de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) numa operação que contou com ajuda de policiais militares de Bauru. O fabricante possuía equipamentos com capacidade para produzir 30 mil maços de cigarros/dia que totalizavam 60 caixa/dia o que indica uma movimentação financeira média de R$ 30 mil/dia. Do local, segundo dados do estabelecimento clandestino, saíram nos últimos sete dias, cerca de três mil caixas contendo 15 pacotes de cigarros cada uma.
Foram apreedidos notebooks, um caminhão furgão, uma camionhete D-20, livro contábil, celulares e uma quantidade incalculável de fumo, papel de cigarros, embalagens e selos.
Quinze pessoas foram presas em flagrante. Dois dos envolvidos no esquema, suspeita-se, que sejam integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O caso começou a ser investigado há quatro meses a partir de uma denúncia. O denunciante contou para a Polícia Civil de Piratininga que a chácara, localizada a 800 metros do quilômetro 270 da rodovia SP 294 sentido Marília/Bauru teria sido arrendada por desconhecidos que iriam pagar R$ 3.800,00 por mês.
A polícia começou a trabalhar com a suspeita de que a propriedade rural era usada para tráfico de drogas, contrabando ou para armazenamento de carga roubada. O caso ganhou força com o apoio da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), segundo o delegado de Piratininga, Paulo Calil.
“O local passou a ser observado pelas equipes de policiais que fizeram até filmagens, a fim de descobrir o que de real acontecia no local.”
O tráfico de drogas foi descartado, porém o trabalho investigativo continuou com novas suspeitas de contrabando ou fabricação de cigarros. Na semana passada, a polícia fez novas investidas, mas a ação não resultou em êxito.
Respaldada pelas hipóteses, o delegado de Piratininga pediu autorização judicial para entrar na chácara. Na manhã de ontem, o local voltou a ser observado e um caminhão que deixou a propriedade foi seguido até a rodovia Marechal Rondon. “O caminhão foi abordado e em seu interior foi encontrado apenas um tambor vazio contendo resquício de óleo diesel. Suspeitamos que algo errado estava ocorrendo, uma vez que o motorista era da Capital e já tinha sido preso por sonegação fiscal.”
Distribuídos para todo o Brasil
A propriedade rural foi cercada por policiais civis e militares. Com o apoio do helicóptero Águia da PM, nove pessoas foram presas, oito homens e uma mulher. Seis conseguiram fugir do local no momento do flagrante, mas foram capturados, graças a ação do Águia da PM e do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), posteriormente na rodovia.
Cada um dos integrantes tinha uma função, a mulher era a encarregada de gerenciar o negócio, enquanto os homens cuidavam da fabricação, empacotamento e distribuição. Ao que tudo indica, a fábrica funcionava 24 horas.
Suspeita-se que a cada dois dias, a fábrica “despachava” um caminhão carregado de cigarros. Para a polícia, a distribuição não se restringia a região.
“Chegamos a conclusão de que os cigarros produzidos nesse galpão era levado para várias regiões do país. Tem presos do Rio de Janeiro, Guarulhos, São Paulo, Foz do Iguaçu, Paraguai e Dracena. O preso do Paraguai está em situação irregular no país, por isso o caso será encaminhado para a Polícia Federal.”
As embalagens usavam nomes de marcas conhecidas no mercado para enganar o consumidor.
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Retorno era usado por olheiro
A localização da fábrica de cigarros clandestina era estratégica. Pouco antes da entrada, na rodovia SP 294, há um retorno onde, segundo a polícia, ficava um olheiro, “vigiando” a movimentação de veículos e dando visão ampla a saída e entrada de caminhões na propriedade.
Segundo o delegado Paulo Calil, por três vezes a polícia tentou entrar na chácara, mas percebeu que o olheiro estava posicionado no viaduto e que pelo celular iria avisar os marginais.
O galpão descaracterizado e quatro casas da propriedade rural eram usados pela quadrilha. No galpão, havia equipamentos próprios para a confecção de cigarros.
Os 15 presos foram autuados em flagrante por formação de quadrilha, falsificação de selo tributário, emprego de produto não permitido por lei e infração à lei contra ordem tributária. Os presos foram distribuídos nas cadeias da região. As Receitas Federal, Estadual e a Polícia Federal foram acionadas para apurar os crimes cometidos pela quadrilha. “O local foi lacrado e está sob vigilância das polícias Civil e Militar. Na segunda-feira, a Receita fará apreensão dos produtos juntamente com a Vigilância Sanitária,” disse o Calil.