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A morte dos famosos

Renato Cardoso
| Tempo de leitura: 3 min

Com o falecimento de Michael Jackson, aos 50 anos, volta à tona o comentário sobre as coincidências das idades em que roqueiros tiveram suas mortes. Até um livro relata e analisa a carreira de vários músicos que morreram aos 27 anos.

A respeito do assunto, lembro de uma propaganda antidrogas que passava na televisão informando que três ídolos do rock, Jimi Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin, morreram jovens, aos 27 anos, os três em decorrência de overdose. O livro não foi traduzido e em inglês tem o título “The 27s: The Greatest Myth of Rock & Roll”, de Eric Segalstad. Segalstad passou alguns anos pesquisando sobre essa estranha coincidência que reúne músicos de talento e a morte, justamente aos 27 anos, por excessos, desventuras e dramas.

No livro, há citação de um site chamado The 27’s, que reúne todos esses e outros mitos como Kurt Cobain, por exemplo, que cometeu suicídio há 15 anos. O site é excelente e, infelizmente, terá seu conteúdo ampliado com a morte de nosso ídolo pop Michael Jackson.

“É um número estranho”. Ainda completa informando que esta seria a idade em que o jovem começa a passagem para uma idade mais madura e, de uma forma que não se pode explicar, eles não conseguem. Nem todos morreram devido aos excessos da conjunção sexo, drogas e rock and roll. Alguns tiveram morte por acidente ou acontecimentos trágicos, como o do vocalista punk Mia Zapata, assassinado em Seattle, em 1993. Também há alguns casos de roqueiros que não eram exagerados, mas que foram vítimas do negócio do rock, isto é, agentes e empresários gananciosos que roubaram tudo que podiam e, como no caso Pete Ham, do Bandfinger, cometeu suicídio ao se enforcar, devido a uma grande depressão por saber que fora passado para trás.

Nem todos os roqueiros puderam cantar When I’m 64, dos Beatles:

“Quando eu ficar mais velho, perdendo meus cabelos

Muitos anos adiante

Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados,

Saudações no aniversário, garrafa de vinho?

Se eu estiver fora até quinze pras três

Irá trancar a porta?

Você ainda irá precisar de mim, ainda irá me alimentar

Quando eu estiver com sessenta e quatro?”

Janis Joplin declarou que “as pessoas gostam de saber que seus ídolos levam uma vida um tanto miserável - ao estilo blues, com muita melancolia -, e isso as faz sentir que expressam seus sentimentos. É uma profissão perigosa”.

Ao contrário do que muitos podem pensar, o livro não é um relato deprimente, mas sim uma forma de celebrar o talento desses músicos. Agora, se você não sabe: um dos nossos maiores gênios musicais, Noel Rosa, também morreu aos 27 anos, em 1937, vitimado pela tuberculose, devido à sua vida de boemia e amores desafortunados.

A comoção constatada hoje (26-06-2009), em razão da morte de Michael Jackson, dá sinais de que o ídolo pop, que falece aos 50 anos, era mais famoso e popular que Elvis Presley, John Lennon, Freddie Mercury e outros cantores.

O autor, Renato Cardoso, escreveu este artigo baseado na tradução feita pelo titular do blog “Recanto das Palavras”, da matéria Before I Get Old: ‘The 27s’ Made Early Exits, que saiu no NPR

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