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Virgílio quer levar Sarney ao Conselho

Folhapress
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Brasília - Em mais um dia de pressões para deixar o cargo, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), desencadeou ontem uma estratégia destinada principalmente a manter o apoio do DEM, fundamental para garantir sua sobrevivência no comando da Casa.

A estratégia de sobrevivência de Sarney se deu por meio de carta encaminhada a todos os 80 senadores, mas cujo alvo principal eram os aliados democratas.

O líder tucano, Arthur Virgílio (AM), encaminhou ao Conselho de Ética da Casa uma lista com 18 acusações divulgadas na imprensa contra Sarney para que sejam investigadas. O PSOL anunciou que ingressa hoje com representação por quebra de decoro parlamentar por causa dos atos secretos. O Conselho de Ética não está funcionando por falta de indicação dos membros.

“Como senador só posso apresentar denúncia. Mas vou pedir ao meu partido que entre com representação contra Sarney”, afirmou Arthur Virgílio, que subiu ontem pela segunda vez, em uma semana, à tribuna do Senado para pedir o afastamento de Sarney da presidência do Senado.

Foi Sarney quem indicou Agaciel Maia para o cargo há 14 anos. Ele só deixou o posto depois de a “Folha de S.Paulo” revelar que escondeu uma casa de R$ 5 milhões da Justiça.

O peemedebista foi avisado por amigos no próprio DEM que o partido precisa de um bom argumento, leia-se explicações sobre a empresa de seu neto e o crédito consignado, para evitar que seus senadores comecem a engrossar o coro que pede pelo menos sua licença do cargo.

Daí a decisão de distribuir a carta com esclarecimentos sobre a atuação da empresa de seu neto José Adriano Sarney, destacando que ela já havia sido descredenciada para operar com crédito consignado na Casa quando assumiu a presidência. Informou ainda ter pedido à Polícia Federal investigações sobre todas as operações de crédito consignado.

A preocupação de Sarney com o apoio do DEM começou na semana passada, quando senadores democratas, como Demóstenes Torres (GO), passaram a criticar publicamente o peemedebista.

Hoje, a bancada de 14 senadores democratas vai se reunir para discutir a situação do presidente do Senado. O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), disse que o partido “não vai dar nenhum passo para afundar o (senador) Sarney, mas não vai oferecer nenhuma rede de proteção”.

Segundo Agripino, a principal questão a ser discutida pela bancada é a do neto do senador, que atuou como intermediário de crédito consignados a servidores do Senado.

O líder do DEM disse ontem que ainda não havia lido a carta de Sarney, mas admitiu que ela será tema da reunião de hoje da bancada. Por enquanto, o peemedebista conta com o apoio de boa parte dos senadores do DEM. Tem do seu lado o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (PI), que o tem defendido.

Só que os democratas começam a ficar incomodados com queixas vindas de eleitores. Daí que eles precisam de um bom argumento para continuar apoiando Sarney ou então terão de sinalizar que vão, pelo menos, pressionar o presidente do Senado.

Líderes do DEM já articulam uma saída, caso a insatisfação dentro do partido cresça, conduzida principalmente pelos mais novatos da bancada. A idéia é encampar o pedido de Demóstenes e solicitar que Sarney se afaste das investigações envolvendo Agaciel, evitando assim pressionar pela sua saída do cargo.

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