Tribuna do Leitor

Jornalismo é ciência


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Passados alguns dias da decisão do Supremo Tribunal Federal, que tirou a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo, a cabeça esfriou, mas os argumentos usados ainda incomodam pela ignorância. Por isso, gostaria de dizer que o Jornalismo é ciência, sim. É conhecimento adquirido com instrução, estruturado com métodos, teorias e linguagens próprias, dotado de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão.

Aos 8 anos de idade decidi ser jornalista, sonho que realizei com muito orgulho e empenho, estudando na Universidade Sagrado Coração. Sempre tive facilidade para escrever e me expressar, mas isso não fez de mim uma jornalista. Hoje, formada há seis anos e meio, trabalhando em duas áreas distintas do Jornalismo, posso dizer, com certeza, que a minha formação fez a diferença. Claro que muitas habilidades só desenvolvi na prática. Mas para isso precisei de uma base sólida e científica que adquiri no estudo das teorias da comunicação, no conhecimento e no compromisso com a legislação e a ética do Jornalismo, nos exercícios de redação, rádio, televisão, internet...

Nos bastidores, o jornalista estuda a melhor maneira de construir uma reportagem para comunicar bem, se debruça sobre um texto, às vezes por horas, escolhendo as melhores palavras para informar com imparcialidade, para não deixar dúvidas e prestar um serviço digno à sociedade. Jornalista faz pesquisa para criar produtos de qualidade, levar informações sobre as quais o público não tem acesso, denunciar as injustiças e traduzir em linguagem prática conhecimentos de especialistas que podem, de alguma forma, tornar a vida do outro melhor. Tudo ainda com dinamismo, criatividade e inovação.

E as pessoas levam a sério tudo o que leem, veem e ouvem nos meios de comunicação (talvez essa seja a causa da decisão do STF). É muita responsabilidade falar de tantos assuntos, entre eles saúde, política, educação, religião e até beleza, porque o tema envolve químicas que podem prejudicar o ser humano se ele não estiver bem-informado. Todo mundo sabe que uma palavra mal-escrita e, assim, mal-interpretada pode gerar um grande problema. Nesse trabalho é indispensável checar tudo e atuar com muito profissionalismo.

As pessoas de diversas áreas não só podem como devem se comunicar através de artigos, blogs e de muitas outras formas. Mas não se pode igualar liberdade de expressão e notícia ou reportagem, onde não deve brilhar o rostinho bonito e a opinião de quem comunica, mas o fato, a verdade, o conhecimento de quem foi consultado para a matéria. Sem a regulamentação é maior o risco dos interesses individuais e de grupos poderosos ganharem espaço na mídia. Cabem aos leitores, ouvintes, telespectadores e internautas redobrarem a atenção e exigirem cada vez mais qualidade.

Aline Mendes - assessora de imprensa e redatora de revista

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