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Os 15 anos do real

José Aníbal
| Tempo de leitura: 3 min

Ao ser fundado, há exatos 21 anos, o PSDB escolheu como seu principal atributo a coragem. Já na sua criação, os fundadores - figuras grandiosas como Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Richa - mostraram o seu desapego ao poder: saíram do PMDB, do governo federal e dos governos estaduais. Optaram, como disse Montoro na frase-símbolo dos tucanos, pelo partido que nasceria “perto do pulsar das ruas, longe das benesses do poder”. Seis anos depois, o PSDB chegou ao poder de um País sem rumo. Com extrema coragem, buscou uma solução ousada, moderna e criativa para enfrentar a inflação e estabilizar a economia. Os projetos do Plano Real e da implantação da nova moeda foram medidas democraticamente negociadas com o Congresso Nacional. Não houve surpresas na calada da noite nem seqüestros de depósitos bancários. O projeto do real vingou, a despeito da selvagem oposição que recebeu dos petistas.

Mesmo com todos esses obstáculos, a condição de vida do brasileiro melhorou como nunca. O trabalhador passou a usufruir de bens de consumo que antes não acessava, os orçamentos domésticos passaram a ser previsíveis, com a moeda estável. A criação da rede de proteção social do governo federal possibilitou a implantação de programas sociais para beneficiar os que viviam abaixo da linha da pobreza - o Bolsa Escola, o Vale Gás, o Bolsa Alimentação. Com a implantação do Plano Real e a moeda real - que completam 15 anos hoje, o Brasil se tornou um País de credibilidade no concerto das nações.

No poder, o PSDB enfrentou o pior quadrante do pós-guerra, conviveu com várias crises econômicas no mundo. A crise do México começou junto com o governo Fernando Henrique e fez o Brasil perder US$ 1 bilhão por dia. Em 1997, a crise dos tigres asiáticos nos afetou duramente. No ano seguinte, a crise da Rússia. Em 2000, pipocou a bolha da Internet. Em 2001, a crise da Argentina e, logo após, a crise dos ataques terroristas do 11/9.

Internamente, em 2001, a prolongada estiagem ocasionou dificuldades no fornecimento de energia, que logo foram administradas. Em 2002, veio a “crise Lula” - a que poderia não ter sido. Candidato à Presidência, Lula pregava uma radical mudança da economia. Como agora sabemos, era tudo cascata.

Ao eleger-se, seguiu a receita do Plano Real, esquecendo as promessas incendiárias. Deu sorte duas vezes: assumiu um País com uma economia sólida e pegou o período de maior calmaria do mercado mundial no pós-guerra. Nunca é fácil enfrentar uma crise econômica mundial. Mas hoje, quando completamos 15 anos da instituição da moeda real, temos a estabilidade e um mapa, a despeito da tola gabolice oficial. Assustado quando a crise atual sobreveio, Lula correu ao cofre e pegou novamente o mapa deixado pelo governo Fernando Henrique, que vacinou a economia contra as grandes crises. A única crise do Governo Lula nos afetou, mas não tanto, porque o Brasil está vacinado pela coragem e pelo descortino do governo de um partido que cumpriu seus compromissos com o Brasil - o PSDB.

O autor, José Aníbal, é líder do PSDB na Câmara dos Deputados

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