Rio - Com a ajuda da produção de automóveis e do segmento de metalurgia básica, a produção industrial cresceu 1,1% em abril na comparação com março, dando indicações de uma retomada no nível da atividade, embora de forma mais lenta do esperava o mercado. Mesmo com a alta, o relatório Focus, do Banco Central (BC), mostra que a mediana das expectativas dos analistas do mercado financeiro para a produção industrial em 2009 ampliou a queda de 4,26% para 4,50%. Para o PIB, a estimativa piorou de - 0,53% para -0,73%.
“Esperávamos um desempenho em ‘V’ bem pronunciado. Talvez a gente passe por um ‘U’ com um vale não tão longo como lá fora, mas vai ser um ‘U’, não um ‘V’”, disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, sendo um “V” a representação de uma queda brusca seguida de uma rápida recuperação; enquanto o “U” representa queda com um tempo maior para a retomada do crescimento.
A produção de veículos automotores cresceu 3,3% em abril em relação a março, mês no qual a produção já havia crescido 6,8% em relação a fevereiro. O segundo principal impacto positivo na indústria geral, na comparação com o mês anterior, foi dado pela metalurgia básica, que passou de uma queda de 2% em março ante fevereiro para uma alta de 5,1% em abril ante março. Todas as categorias de uso pesquisadas pelo IBGE registraram resultados positivos na produção industrial em abril ante março: bens de capital (2,6%); bens intermediários (1,1%); bens de consumo duráveis (2,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,3%).
Embora o resultado tenha sido positivo na evolução mensal, a comparação com abril do ano passado mostra o estrago feito pela crise internacional na atividade fabril: houve queda de 14,8%. No quadrimestre a queda foi de 14,7%, o pior quadrimestre desde o início da série, em 1991.
Hove queda em todas as categorias de uso na comparação com abril do ano passado, com destaque para bens de capital (-29,3%), seguido de bens de consumo duráveis (-21,6%), bens intermediários (-15,5%) e bens de consumo semi e não duráveis (-4,2%). Nessa base de comparação houve queda de 24,9% na produção de veículos e 27,9% na produção de metalurgia básica.
Recuperação lenta - Para a economista da coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes, os dados “confirmam uma recuperação gradual”. Segundo ela, ao se comparar os dados de abril com dezembro do ano passado, a produção industrial cresceu 6,2%, puxado por bens de consumo duráveis, cuja produção aumentou 57,8% nesse período, sob impacto dos veículos automotores, que por sua vez tiveram alta de 61,1%, concentrada nos automóveis.