Depois que o fogo se alastrou, só resta combater as chamas e acionar os bombeiros. Mas há muito o que fazer no dia-a-dia para evitar um incêndio em casa. Além de cuidados com vazamento de gás, velas, cigarros e eletroeletrônicos ligados, a fiação do imóvel merece atenção redobrada. A maioria dos incêndios ocorre, de acordo com o Corpo de Bombeiros, por falta de manutenção da rede elétrica, que pode causar um curto-circuito. Neste ano, já foram registrados 18 incêndios a residências em Bauru apesar do período de maior incidência ser nos meses secos e quentes (agosto, setembro e outubro).
Segundo o tenente Cláudio Augusto Antunes da Silva, do Corpo de Bombeiros, a falta de reparos nas instalações elétricas, assim como de manutenção em fiação antiga, estão entre as principais causas de incêndio em casas pela facilidade de causar curtos-circuitos. “O que mais causa incêndio, na verdade, é a falta de cuidado. Na parte elétrica, têm que ser feitas revisão e troca da fiação por instalações mais modernas”.
Na avaliação do engenheiro elétrico Paulo Eduardo de Grava, a preocupação com as instalações elétricas de uma residência deve ter início já na elaboração do projeto. “É importante que o projeto seja elaborado sob a orientação e a responsabilidade de um profissional da área de engenharia na modalidade elétrica, como, também, que sejam feitas análises periódicas do estado de conservação (da rede) através de laudos”, informa.
Ele explica que a rede elétrica funciona em boas condições por um período que vai de 20 a 30 anos. Contudo, ressalta Grava, em razão das constantes alterações nas instalações, como a substituição de chuveiros e a instalação de equipamentos de ar-condicionado, a dica é que essa manutenção da rede seja feita com uma freqüência. “Via de regra, uma coisa dinâmica dentro da edificação é realmente a parte da eletricidade.” Grava frisa que, se o circuito elétrico suportar e estiver em boas condições de uso, a instalação de vários aparelhos elétricos, o que é comum nas residências hoje em dia, não implica em maior risco de curto-circuito. O problema é que a manutenção preventiva da fiação elétrica não é um hábito.
O técnico em eletroeletrônica Júlio César Caçador conta que, em oito anos de profissão, realizou apenas uma vistoria preventiva em rede elétrica. “O cliente, em tudo, só liga para você na hora em que precisa. Se a instalação dele durou 25 anos é porque ainda está boa, imagina”. De acordo com o técnico, até mesmo por falta de informação as pessoas têm um certa resistência em realizar a vistoria de uma instalação elétrica que ainda está funcionando.
Ao ser chamado recentemente para consertar a fiação do chuveiro de uma residência na Vila Cardia, Caçador conta que se deparou com uma rede elétrica em péssimo estado, com mais de 30 anos. Com muito custo, ele conseguiu convencer a dona do imóvel a trocar toda a instalação elétrica da casa. “Eu tive que insistir muito, tirar foto e conversar com ela sobre a situação da instalação”, conta.
O engenheiro civil Luiz Carlos Mattos dos Santos é uma das poucas pessoas que se preocupam com o estado de conservação da rede elétrica do seu imóvel. Recentemente, ele contratou um profissional da área para instalar alguns computadores em sua residência, onde também funciona uma imobiliária. “Eu tinha algumas tomadas, precisava conectar alguns equipamentos e elas já estavam danificadas”, explica. Para não comprometer o funcionamento das máquinas que estava instalando, o engenheiro solicitou ao profissional que fizesse uma vistoria em toda a instalação elétrica da casa. “Eu pedi para que ele fizesse uma revisão geral e ele verificou que tinha algumas coisas a mais para fazer que não eram urgentes, mas necessárias”, revela. Com a manutenção preventiva, foram trocadas tomadas e estações de fio, além de outros pequenos reparos na rede.
____________________
Benjamim, mocinho ou bandido?
A utilização do benjamin, conhecido popularmente como “T”, para ligar em uma mesma tomada três aparelhos eletrônicos de forma simultânea não é recomendada pelo engenheiro elétrico Paulo Eduardo de Grava. Segundo ele, existe um dimensionamento feito para que a tomada atenda uma determinada carga de energia.
“E, na medida em que você liga mais do que um equipamento ao mesmo tempo através do benjamim, você pode estar colocando em risco as instalações porque a carga que você vai estar solicitando naquele circuito da tomada pode estar sendo superior àquela para a qual ele foi dimensionado”, explica.
____________________
Gás, vela, panela no fogo e aparelho ligado são os riscos mais freqüentes
Além da manutenção da instalação elétrica da residência, o tenente Cláudio Augusto Antunes da Silva, do Corpo de Bombeiros, lembra que velas acesas em locais inadequados, vazamentos na mangueira e na válvula do botijão de gás de cozinha e panelas esquecidas acesas no fogão também são responsáveis por muitos incêndios. “As pessoas precisam sempre deixar o botijão de gás fechado, fora da residência, e verificar se a mangueira está em bom estado porque ela tem um prazo de validade”, diz.
Equipamentos como ferros de passar roupa e aparelhos celulares também devem ser retirados da tomada sempre que o morador ausentar-se da residência. De acordo com o tenente, quando encostados em um material de fácil propagação de calor, esses objetos podem resultar em incêndios de grandes proporções.
Nesta época, de inverno, um alto risco de incêndio é o costume de aquecer o ambiente, principalmente quartos e banheiros, queimando álcool ou querosene em um recipiente. Segundo o tenente, esse tipo de procedimento pode resultar em graves queimaduras nas pessoas e até mesmo em explosões.
A orientação é para que a corporação seja acionada através do telefone 193. Em algumas situações, a água pode não ser a melhor opção para apagar o incêndio. Nos causados por diluentes e combustíveis, como a gasolina, a água pode contribuir para o fogo se alastrar mais. Em acidentes por curto-circuito, a água também representa perigo, já que é um elemento condutor de eletricidade.