Tribuna do Leitor

Vitória do Brasil na Copa das Confederações


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A Brahma publicou no Jornal da Cidade propaganda de página inteira com os dizeres: “Patrocinar uma seleção guerreira como todo brasileiro não é patrocínio. É orgulho. Parabéns, Seleção. Brahma. Patrocinadora oficial da Seleção Brasileira”. Este fato comporta um comentário entre o futebol e a educação no Brasil, pelo contraste que entusiasma e mobiliza o futebol, e o espaço inexpressivo dispensado à educação, o nosso ensino. As três universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp, vivem uma crise de desvalorização, prestígio no seu insigne valor indiscutível. Vive também em crise a educação básica: educação infantil (creche e pré-escola), ensino fundamental, ensino médio.

A vitória da Copa das Confederações faz o povo brasileiro vibrar, entusiasmando-se ainda mais com a Copa do Mundo a se realizar no Brasil em 2014. Como se constata, o futebol é parte essencial de nossa identidade e motivo de auto-afirmação. O mesmo não ocorre com a educação, que não recebe atenção nem mesmo dos governantes e parlamentares e não provoca emoções nem torcidas.

A educação, atividade criadora que visa levar o ser humano a realizar as suas potencialidades físicas, intelectuais, morais, espirituais e preparação para fins exclusivamente utilitários, como habilitação ao exercício de uma profissão, proporcionando, inclusive, o progresso do País, é negligenciada. Registre-se, quanto ao futebol é simplesmente um jogo de importância relativa, voltado apenas ao lazer, divertimento dos espectadores.

Imagine-se o Brasil sofrendo a derrota na Copa das Confederações em Johannesburgo na África do Sul! Geraria uma indignação coletiva no País. Os brasileiros não admitem perder uma campeonato, uma Copa do Mundo. Mas aceita passivamente, indiferentemente o baixo padrão de qualidade do ensino nas escolas e a péssima classificação mundial no desempenho dos alunos concorrentes. Finalmente, é preciso que o Brasil deixe de ser reconhecido, respeitado apenas pela excelência de seu futebol, mas também, respeitado, reconhecido pelo seu sistema escolar, pela excelência do ensino das escolas de educação básica e do ensino universitário.

Só a educação do povo pode levar o Brasil a uma grande nação.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do Estado de SP, ex-professor da ex-Fafil, hoje USC

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