Tribuna do Leitor

Nota do PSOL de Bauru


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No dia 28 de junho de 2009, o povo de Honduras que, assim como nós brasileiros e outros, constitui o povo latino-americano, sofreu um duro golpe de Estado. O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi seqüestrado por forças militares organizadas em conjunto com juízes, políticos, meios de comunicação e outras instituições e organizações, com o objetivo de evitar o avanço da democracia no país e evitar a participação popular nos rumos da nação. O exército está na rua contra o povo que deveria defender e cortaram o fornecimento de energia elétrica para evitar a comunicação entre a população. Não se trata apenas de uma ofensiva da direita local que, financiada por empresários, garante a manutenção da miséria e da exploração dos trabalhadores dos países subdesenvolvidos. Na realidade, trata-se de um atentado contra todos os indivíduos do mundo, independente de nacionalidade, que defendem a liberdade e a democracia como princípios fundamentais contra as tiranias dos poderosos. É um atentado, portanto, contra todos nós brasileiros e cidadãos do mundo; é um retrocesso para a humanidade.

Aos que pensavam que as ditaduras e golpes de Estado eram acontecimentos do século passado, esse golpe em Honduras coloca em debate a frágil democracia na América Latina. Essa frágil democracia não foi uma concessão da elite econômica e política, não foi um presente dado pelos poderosos ao povo, mas foi uma conquista dos povos que, unidos, sofreram as mais terríveis atrocidades físicas e psicológicas através de torturas, assassinatos e perseguições. Crimes que ainda não foram apagados da memória e do corpo: ainda hoje entidades de direitos humanos e familiares espalhados por todo o planeta esperam e reivindicam não apenas o conhecimento dos fatos que permanecem obscuros, mas esperam resgatar os corpos de seus familiares ainda hoje desaparecidos.

Além deste golpe em Honduras, assistimos ao golpe na Venezuela em 2002, quando o presidente democraticamente eleito Hugo Chavez foi deposto e seqüestrado por 48 horas por uma iniciativa da elite que, descontente com as políticas populares da revolução bolivariana, provaram que em suas bocas a democracia é apenas um discurso hipócrita e vazio. De fato, os poderosos estavam descontente com um governo que, em apenas quatro anos, como reconheceu a Unesco, definitivamente erradicou o analfabetismo. De fato, os poderosos estavam descontentes com a expansão do atendimento médico gratuito e de qualidade na periferia do país. De fato, a elite teme a reestatização de empresas píblicas que foram privatizadas através de leilões que, em diversos pontos, ferem a legalidade e alimentam seus lucros individuais, colocando na miséria a maioria do povo. Governos assim, de fato, serão alvos de atentados e injúrias dos poderosos.

Vimos recentemente o assassinato de dezenas de índios no Peru a favor de empresas que querem explorar a Amazônia. Vimos aqui no Brasil a tropa de choque na USP, presenciamos a criminalização dos movimentos sociais, passeatas de fascistas em defesa da ditadura de 64, etc. Para onde caminha a humanida desta maneira? O que acontecerá quando os lucros da elite caírem ainda mais com a recente crise econômica e despedirem mais e mais trabalhadores exigindo dos governos a “flexibilização” dos direitos trabalhistas? Uma coisa é certa: os trabalhadores lutarão por seus empregos, por seu direito à saúde, à educação, por seu direito à vida e ao futuro, como sempre lutaram.

Acreditamos que a democracia deve ser o exercício prático, e não apenas no discurso, do poder que emana do povo para o povo. Por isso repudiamos o golpe de Estado em Honduras, e somamos força com diversos governos de todo o mundo e organizações populares que, em defesa dos direitos humanos, se manifestam publicamente contra esse golpe. Viva a democracia! Viva o poder popular organizado!

Carlos Eduardo Carneiro

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