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Sarney ameaça renúncia; petistas balançam

Folhapress
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Brasília - Após ter seu afastamento por 30 dias defendido pelo PT no Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), ameaçou ontem renunciar ao cargo. A posição de Sarney fez o partido balançar em sua decisão de exigir a saída do senador do cargo, passando a tratar o afastamento apenas como uma sugestão ao peemedebista.

A estratégia de Sarney foi transferir ao PT a responsabilidade por sua permanência no cargo, sinalizando que sua saída poderia causar dois prejuízos ao presidente Lula.

O governo perderia o apoio de boa parte do PMDB nas votações do Senado e o partido seria estimulado a abandonar a aliança com os petistas para a eleição presidencial, trocando a candidatura da petista Dilma Rousseff pela do tucano paulista José Serra.

Sob pressão do comando do partido, com receio de perder o apoio do PMDB em 2010, a bancada decidiu se reunir novamente com Sarney no início da noite de ontem e procurar Lula para discutir o assunto antes de formalizar sua decisão.

A preocupação do governo com o risco de saída de Sarney já era clara anteontem, quando a ministra Dilma (Casa Civil) ligou para o peemedebista e pediu um encontro. A reunião, na casa da petista, vizinha à do senador, contou com a presença do chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho.

Dilma transmitiu um recado de Lula a Sarney -que ele aguardasse o retorno do presidente da viagem antes de tomar qualquer decisão. O encontro poderia acontecer ainda ontem à noite, já que a chegada de Lula estava prevista para as 21h.

Pela manhã, os líderes do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), e do PT, Aloizio Mercadante (SP), se reuniram com Sarney na casa dele para sugerir que se afastasse do cargo por 30 dias e criasse uma comissão formada por senadores e servidores da Casa para tocar a reforma administrativa da Casa.

A decisão havia sido tomada em reunião da bancada. A reportagem apurou que, dos 12 senadores do PT, apenas 4 foram contra a ideia de afastamento. O discurso petista mudou, porém, com a reação de Sarney.

Durante o encontro, logo depois de ouvir a proposta de afastamento, Sarney fez a ameaça de renunciar. Ele disse aos líderes petistas que, depois de perder o apoio do DEM no dia anterior, se também ficasse sem o suporte do PT, não teria mais condições “aritméticas” de permanecer no cargo.

Lembrou a Ideli e Mercadante que, sem o PT, ficaria apenas com o apoio do PMDB, PTB, PR e PRB, que juntos somam no máximo 30 dos 81 votos da Casa -já contabilizadas as defecções em seu partido.

O senador peemedebista disse ainda aos petistas que iria informar Lula sua decisão de renunciar ao cargo diante da posição petista de pedir seu afastamento do cargo.

Depois disso, Mercadante reuniu novamente a bancada petista, que decidiu então aguardar o retorno ao país do presidente antes de oficializar o pedido de afastamento de Sarney. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, participou dessa reunião.

“Percebemos o quanto essa aliança é importante e percebemos a influência de Sarney no PMDB”, disse Mercadante. Afirmou que a saída dele “não é a solução para os problemas do Senado, já que outros partidos, como o DEM, também são responsáveis pela crise”.

Em entrevista, Mercadante tentou uma saída intermediária. “Avaliamos que o afastamento por 30 dias ajudaria o Senado a superar essa etapa, mas não houve acolhimento desta sugestão.” Disse que a renúncia não interessa ao governo. “Temos de olhar quem está do nosso lado. Tirar só o Sarney é fazer o jogo da oposição.”

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