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Preço de energia pode variar pelo horário

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Energia elétrica mais barata em horários de baixo consumo e mais cara nos períodos de rush. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou uma discussão para restruturar a forma de cobrança da tarifa dos clientes residenciais com o objetivo de fazer com que os consumidores utilizem a energia de uma forma mais consciente.

Se aprovadas, as alterações deverão ser implantadas a longo prazo já que o atual sistema de medição de energia elétrica nas residências e pequenos estabelecimentos comerciais não permite saber o horário em que o consumo ocorre, mas apenas o total de quilowatts/hora gasto por cada imóvel.

Para que essa mudança possa ser aplicada, é necessário trocar os medidores de energia pelo modelo eletrônico, que registra o consumo por horário.

A assessoria de imprensa da Aneel informa que a proposta está em fase de estudo. Depois, será encaminhada para discussão em audiência pública. Na avaliação da Aneel, se a cobrança por horário for implantada, o consumidor residencial terá a oportunidade de reduzir o preço de sua conta de energia se passar a ligar aparelhos elétricos fora dos horários de pico.

Em Bauru, tendo como análise o mês de janeiro, o horário de pico de consumo de energia ocorreu numa tarde de quarta-feira quando, em uma hora, foram consumidos 116,4 MWh. Isso representa quase três vezes mais do que a demanda mínima de consumo registrada na madrugada de segunda-feira quando, em uma hora, foram gastos 43,7 MWh, segundo informou a assessoria de imprensa da CPFL Paulista.

Tarifa de energia diferenciada, que varia conforme o horário, já é oferecida para indústrias e setor agrícola, em atividades de irrigação. “Nesses casos, quem paga esse medidor especial são os consumidores”, diz o tecnólogo elétrico Braz Melero. “No setor residencial, a grande dificuldade é a instalação de medidores adequados, o que ficaria muito caro”, opina.

Ele estima que o medidor especial custe até cinco vezes mais do que o tradicional. “Essa tem sido a grande dificuldade de se aplicar essa tarifa diferenciada para os consumidores residenciais e mesmo os comerciais, que têm um baixo consumo em relação às indústrias”, afirma.

“Eu acho que, se for colocada em prática, em um primeiro momento, vai ter uma aceitação bastante restrita tendo em vista o custo do medidor a ser instalado”, diz. “Teria que ter realmente uma tarifa bastante vantajosa para estimular o consumidor a fazer essa opção”, opina.

Além disso, segundo Melero, consumidores da chamada classe A, que não se preocupam com o custo da energia, não devem alterar seus hábitos em razão da oferta de tarifas reduzidas, a não ser por uma questão de preocupação social com o meio ambiente. “Se ele já tem facilidade de pagar energia, não vai limitar horário de banho, por exemplo”.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) é uma dos clientes da CPFL que adotou estratégias para reduzir o consumo de energia elétrica nos horários de pico. Segundo a assessoria de imprensa da autarquia, no período de maior consumo, são desligados cinco dos 29 poços existentes.

Com isso, como os reservatórios já estão cheios, deixa-se de retirar água do poço, atividade que consome bastante energia. “Há cerca de um ano, o DAE, após estudos, realiza o desligamento desses poços nos horário de pico”, informa a assessoria do DAE.

De acordo com a autarquia, esse sistema de bloqueio permite que os poços com elevado consumo de energia sejam desligados no período das 18h às 21h, por meio de um timer instalado em seus painéis, sem que o fornecimento de água à população seja comprometido. “Os reservatórios, no momento do desligamento, permanecem cheios”, ressalta.

A família de Valdeir Bregola sofre para controlar o consumo de energia elétrica nos horários de pico. Além do banho dos três filhos, sua esposa, Luciane Limão, trabalha lavando e passando roupa para fora, o que contribui para que a conta de energia da família seja muita alta. “Meus dois filhos tomam banho umas 18h, quando chegam da escola. Minha esposa toma banho umas 19h e eu tomo banho umas 20h”, conta.

“Às vezes, ela passa roupa enquanto a gente está tomando banho”. De acordo com ele, as alterações na forma de cobrança da tarifa de energia que estão em estudo pela Aneel iriam contribuir para a redução de sua conta. “Aí eu iria mudar meus hábitos para poder pagar a taxa menor”, afirma.

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