Tecigalpa - A comunidade internacional congelou entre US$ 300 milhões e US$ 450 milhões de ajuda financeira a Honduras como punição pelo golpe de Estado derrubou o presidente eleito, Manuel Zelaya, no domingo passado. O número foi apresentado ontem pela ministra de Finanças do governo Zelaya, Rebeca Santos.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, um dos principais aliados de Zelaya e, segundo o governo interino, financiador do projeto do presidente eleito de tentar reformar a Constituição para aprovar a reeleição, suspendeu o envio de petróleo a Honduras.
“Para este ano, tínhamos previsto uma ajuda entre US$ 300 e 450 milhões”, disse Santos. “Esta é a quantia que poderia estar neste momento disponível a um governo de fato”, completou, durante a 2.ª Reunião de Ministros da Fazenda da América e Caribe.
Os recursos seriam entregues por organizações como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que suspenderam seus programas de ajuda ao país depois da queda de Zelaya em golpe arquitetado pela Justiça e o Congresso.
“Honduras é um dos cinco países mais pobres da América Latina”, afirmou a ministra, impedida de voltar a seu país pelo governo interino. “Esta situação irregular em meu país coloca os programas de desenvolvimento social em risco e prejudica o crescimento econômico”, completou.
Após um duro discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o golpe militar em Honduras, o Itamaraty também cortou uma lista de programas de cooperação com Honduras.
Os programas são concentrados em duas áreas: energia e saúde. Como Brasília não reconhece o governo do presidente interino Roberto Micheletti, a ordem é para que as negociações das áreas técnicas dos dois países sejam interrompidas por prazo indeterminado.
Honduras cresceu em 2008 algo em torno de 4%. Para este ano, a previsão era de 2%, antes da derrubada de Zelaya.
Chefe da OEA
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegou ontem a Tegucigalpa, em Honduras, a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), para exigir a restituição do presidente eleito hondurenho, Manuel Zelaya. Insulza desembarcou no aeroporto internacional de Toncontin em vez da vizinha base aérea militar, local onde havia sido preparada recepção com honras militares.
O chefe da OEA se reunirá com representantes da Corte Suprema de Justiça e com a Procuradoria Geral de Honduras, mas não está previsto um encontro com o presidente interino, Roberto Micheletti, cujo governo não é reconhecido pelo organismo regional.
Hoje, acaba o prazo de 72 horas concedido pela Assembleia Geral da OEA para que o governo interino de Honduras devolva a Presidência a Zelaya. A resolução do órgão prevê a suspensão de Honduras da entidade caso o governo interino não restaure a ordem democrática. Apesar do ultimato, Micheletti descartou de modo taxativo o retorno de Zelaya ao poder.
Em um gesto de flexibilidade, contudo, ele afirmou que não teria problemas em antecipar a data da eleição, inicialmente prevista para 29 de novembro.
“Sempre e quando o Tribunal (Superior Eleitoral) acertar isto com o Congresso Nacional, baseado na lei, qualquer dia será bom para nós”, declarou Micheletti. A posse do presidente eleito está programada para 27 de janeiro, mas Micheletti não informou se estaria disposto a antecipar esta data.