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Comércio prevê final de ano aquecido

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta, prevê um segundo semestre bastante aquecido no comércio de Bauru. Historicamente, a segunda metade do ano é sempre melhor para os comerciantes. “O começo do primeiro semestre foi ruim, muito difícil. A crise afetou mais. Agora parece que está melhorando. Em maio e junho já houve uma recuperação”, explica.

O desempenho deve melhorar ainda mais por conta do calendário do segundo semestre, recheado de promoções. Agosto será marcado pelo Dia dos Pais, quando haverá o sorteio de uma moto. Em setembro está confirmada a Festa da Primavera. “A gente distribui cinco mil vasos de flores na chegada da estação. Outubro tem o Dia das Crianças, uma data também marcante. Depois nós vamos sortear um carro. As perspectivas são boas. Estamos otimistas. Esse ano vai ser muito bom, bem melhor do que o ano passado”, avalia.

O resultado de maio e junho, já superou os mesmos meses do ano passado em vários setores, afirma Motta. “Em julho também temos a ‘Loucura total no comércio’. Não seria uma liquidação de inverno. Como as lojas estão vendendo bem, deixamos a liquidação de inverno para mais para frente. Bauru não vende só para a cidade. É pólo comercial, vende para a região também”, conclui o presidente da CDL. Para consumidores e lojistas, o ápice das vendas, como sempre, é o tão esperado Natal.

Tendência

“A tendência é o consumo aumentar e o desenvolvimento voltar ao normal. O susto já passou. Existe tendência de tranqüilidade”. A afirmação é do coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia), Francisco Wagner Monteiro, o Chicão. De acordo com ele, a crise financeira internacional não atingiu o Brasil como a imprensa divulgou.

Para Chicão, não tem mais sentido tratar do problema sempre com o advérbio ‘apesar’. “Não dá para falar mais o Brasil cresce apesar da crise. Dizer que o presidente está louco e não sabe o que fala. E o presidente falando: ‘calma gente, vai vir uma marolinha’”, comenta o sindicalista. Na opinião do coordenador da CUT em Bauru, o clima de catástrofe inibe o empresário, que deixa de investir. Traz reflexos ainda sobre o consumidor, que deixa de gastar.

Mas se no aspecto econômico a tendência é de tranqüilidade, no campo político o embate será duro, adverte Chicão. “Estamos nos preparando para ataques que possam ocorrer no Congresso por lobbies de parlamentares de direita. A todo momento, eles tentam flexibilizar os direitos e as conquistas dos trabalhadores. Desde o início, estão usando a crise para tentar colocar na ordem do dia a discussão de flexibilização”, ressalta.

Na opinião do sindicalista, a ofensiva será maior no segundo semestre por anteceder ano eleitoral. “No ano que vem não podem falar mais nada porque é ano eleitoral e precisam de voto. Não vão arrumar problema com trabalhador. Na questão política, talvez a gente tenha um pouco mais de dificuldade. Na econômica, a tendência é melhorar”, conclui.

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Pessimismo

Para a Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), os reflexos da crise global ainda trarão muitas demissões em solo verde e amarelo. “Apesar do governo federal e da imprensa colocarem que o pior já passou, nós que fazemos a discussão cotidiana da crise, acreditamos que a fase mais aguda ainda está por vir. A situação não está definida nem lá fora”, comenta Paulo Martins, coordenador regional da Conlutas em Bauru e diretor do Sindicato dos Bancários.

A semana passada terminou com a divulgação do aumento do desemprego nos Estados Unidos e na Europa. Os números derrubaram as bolsas de valores e ainda trouxeram reflexo no câmbio - com o dólar em alta diante das principais moedas. “O governo mostra-se tranqüilo com a questão do desemprego. A gente assistiu a Embraer. Foram 4.200 demissões, uma luta tremenda do Sindicato dos Metalúrgicos de lá e não foi possível reverter. Agora estão falando em demissões em massa na Vale do Rio Doce”, diz.

Na opinião de Paulo Martins, a situação mostra que o problema continuará massacrando os trabalhadores. “A gente tem que se organizar o mais rápido possível e não ficar esperando que vá melhorar. Se falou em marolinha para mascarar tudo isso, enquanto a gente vinha alertando sobre as demissões acentuadas. Para a Conlutas, ainda tem muita coisa para acontecer”, garante.

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