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Ídolos ou simplesmente filhos?

Michelle Siqueira de Oliveira
| Tempo de leitura: 2 min

Semana passada, o mundo viu um de seus atuais ídolos da música pop morrer. Uma legião inteira de fãs e admiradores lamentaram sua partida, deixando na lembrança seu jeito irreverente e único de dançar, músicas que se tornaram hinos pelo mundo todo e a dedicação desmedida para ser sempre o melhor.

Por diversas vezes, ouvimos entrevistas com relatos da sua não infância, a cobrança acirrada do pai dizendo que nada estava bom, que sua aparência era horrível e muitas vezes usando de violência física para adequá-lo ao treinamento do que “ele” achava bom, provocando assim marcas profundas em sua personalidade que nenhuma das plásticas pode transformar.

Fico me perguntando quantos Michael Jackson não temos espalhados pelo mundo. Quantas crianças e adolescentes são violentados física e/ou psicologicamente pelos seus pais que, na ânsia de torná-los melhores para a sociedade, acabam tolhendo-os da sua infância e de seus próprios sonhos.

Muitos pais dizem aos seus filhos: “Você faz tudo errado”, “Como você está feio e gordo”, “O que eu fiz pra ter um filho assim”, “Você é uma decepção para mim”... Vai então se formando um vazio dentro da criança e do adolescente e este, sem referência de amor e de apoio e com necessidade de ser aceito, ser bom em alguma coisa, vai procurar fora de casa preencher-se através de amizades nem sempre boas, drogas e vícios em geral. É necessária, sim, a correção, chamar a atenção e realmente educar, mas educar e corrigir com amor e por amor. É preciso deixar que a referência de família, de apoio e amor seja a completude de seu ser.

É preciso também entender as limitações de cada um, apoiá-los para superá-las e não cobrar aquilo que é incompreensível para determinada idade.

Peçamos sabedoria a Deus para guiar nossos passos, pois nós adultos também temos nossas limitações. É necessário que o amor sempre esteja presente em nossos lares e que saibamos educar e amar hoje os futuros homens de amanhã, sejam eles grandes ídolos ou simplesmente filhos.

A autora, Michelle Siqueira de Oliveira, é farmacêutica, com MBA em gestão empresarial

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