Em todos os lugares, bairros da região central ou mais afastados. Faça um teste: saia agora na calçada de sua casa. Certamente haverá uma propaganda fixada no poste de iluminação pública ou pintada na calçada próximo aos telefones públicos. Se você reside perto de terrenos que não possuem nenhum tipo de construção, placas enormes com preços de produtos enfeitam o lugar indiscriminadamente.
Sem controle, ruas e espaços públicos de Bauru vêm sendo usados para divulgar serviços prestados por empresas, como as de transporte em motocicletas. Os mototáxis são os campeões desse tipo de propaganda em postes ou no piso próximo a telefones públicos. Na maioria dos lugares, quem precisa dos serviços prestados por essas empresas pode escolher no chão entre as dezenas de números pintados no local.
A poluição visual em Bauru tem se tornado tão bom negócio que nem mesmo as cercas que protegem propriedades privadas têm saído ilesas. A imagem da foto acima pode ser vista no Núcleo Habitacional Mary Dota, na avenida Rosa Malandrino Mondelli, próximo à quadra 9. Faixas com anúncios diversos foram colocadas estrategicamente próximas do local onde é feita a conversão para entrar na avenida Marcos de Paula Rafael, principal via do bairro e por onde passa grande parte dos trabalhadores de um frigorífico instalado no bairro.
Nem mesmo os postes e calçadas da avenida escapam da propaganda alternativa. Em alguns lugares, os próprios moradores se encarregam de retirar os panfletos colados, deixando um rastro de sujeira para trás. A grande quantidade de cola utilizada para fixar os cartazes deixa-os expostos por um longo tempo.
A maior parte das pessoas que vivem nesses bairros ou que andam todos os dias pela área central, admite nem prestar atenção nessa “enxurrada” de propagandas. Izabel Cristina Polo critica e acredita que alguma medida deveria ser tomada para evitar o que ela classificou de “sujeira” pela cidade. “Ninguém presta atenção nessa sujeira que está por todos os lugares. A maior parte das pessoas nem lê”, acredita.
Diversidade
Além da propaganda de empresas de mototáxi, ofertas de supermercados e outros serviços disponíveis no mercado, como lavagem de estofados, cortinas e veículos, é possível encontrar profissionais liberais divulgando seus serviços. Tem gente se oferecendo para capinar terrenos, afiar facas, alicates e tesouras e ainda o mercado do serviço místico. Nos postes, em forma de cartazes e até banners, é possível encontrar pessoas que se dizem especializadas em ver o futuro através das cartas do tarô, da numerologia e de fazer trabalhos espirituais com diversas finalidades.
Os postes, que na verdade deveriam apenas servir de sustentação para a rede de transmissão de energia elétrica na cidade - e que em alguns casos também serve para prender placas com os nomes das ruas -, têm se transformado em pontos de divulgação para serviços de utilidade pública. São cartazes com fotos de pessoas e animais desaparecidos, bazar da pechincha, quermesses e festas pela cidade.
Nem mesmo os pontos de ônibus escapam da fúria da propaganda alternativa que invadiu a cidade. Devido ao grande número de pessoas que ficam nesses locais todos os dias, cartazes com o número de telefone de empresas de mototáxi e de outros serviços se multiplicam.
Até mesmo os telefones públicos não escapam da poluição visual que a publicidade alternativa tem causado em Bauru. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, duas leis municipais em vigor proíbem a utilização de espaços públicos e privados para fixação de propaganda sem análise e autorização prévia.