Tribuna do Leitor

A saudável bicicleta


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Muito oportuna e abrangente a reportagem sobre pedestres e ciclistas em Bauru, veiculada na edição do domingo 28/6. Só quem teimosamente faz uso desse meio de transporte tem uma visão bem próxima do ideal do que é a verdadeira aventura quando se trata de Bauru. Nossa pobre cidade, rica em poderosos, trata seus pedestres e ciclistas como alienígenas e só sobrevive o infeliz que tem opinião e luta pelo seu espaço como ser humano.

Não raras vezes somos ameaçados pelos veículos como se o Planeta - já combalido em sua estrutura ambiental - fosse dos veículos automotores. Ora, não estaríamos aqui para privilegiar a vida? E a vida não é para os seres inerentes do Planeta? Quem desenvolve todos os veículos desta Terra? Para quem lutamos: não seria para nossos filhos, netos?... E os outros seres? Não seriam netos, filhos de outros seres viventes daqui?

O egoísmo reinante em nossa sociedade profundamente rodoviarista tem nos cegado para a convivência humanitária. Falta-nos a compreensão de que a pessoa que está ali com sua bicicleta talvez esteja tão somente dando a contribuição dela para o ambiente, ou então por necessidade mesmo! Então, por que jogar seu poderoso carro importado sobre ela? Por que ameaçá-la com sua estridente buzina? Qual o sentido de ofendê-la verbalmente?

Pessoalmente, posso contar com um bom veículo, uma boa motocicleta e tenho diferentes cinco bicicletas. Faço grande uso delas últimas, procuro entusiasmar quem de mim se aproxima com o mais racional dos veículos, mas confesso, para muitos é uma enorme preocupação a segurança e exatamente o abordado na matéria: não é a bicicleta, são os veículos.

Algumas vezes essa paixão pelas bikes me traz um certo remorso, como há poucos dias, quando o zelador do edifício onde moro, depois de ser estimulado, aparelhado com uma boa bike, foi atropelado na saída do trabalho por uma motorista que dizia estar com pressa! Então com pressa pode? O infeliz é pai de seis filhos, trabalha em dois turnos, pedala 25 km todos os dias, mas estava muito devagar. Algum “pimpolho” precisava que a mamãe fosse apressadamente buscá-lo na aula de judô ou inglês, ou seja lá o que for. Conclusão: 45 dias afastado.

Em época de conscientização, onde grandes metrópoles ao redor do mundo tem privilegiado o saudável transporte por bicicletas, as caminhadas, o que vemos por aqui é a gritaria por novas avenidas, pavimentação para os veículos, áreas para estacionar, sombras... Tudo para os veículos. Para encerrar e não aborrecê-los ainda mais, um último “causo”: há poucos dias, em nosso tradicional passeio dos “Night Bikers”, saímos, como é feito há quase 18 anos, e logo ao contornar uma rotatória, todos os 20 membros à direita - inclusive crianças -, fomos ameaçados por um motorista e sua supercaminhonete, que buzinava histericamente. Ao ser por mim alertado de que deveria aguardar, vociferou impublicáveis termos ofensivos. Papai do Céu deve estar preocupado com nossa conduta no Paraíso que temos a oportunidade de habitar.

Marco Labão

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