Tribuna do Leitor

A arte não é supérflua


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Também sou aluna das oficinas de Teatro e a respeito do que diz Letícia Ravanini em sua carta, publicada neste jornal em 2/7/2009, só posso concordar. É ultrajante o que vem acontecendo no Centro Cultural de Bauru. São inúmeras as questões que ofendem a dignidade dos cidadãos (bauruenses ou não) que fazem questão de participar da construção, transformação e propagação da nossa cultura. Como seres humanos que somos, é nosso direito ter acesso a condições decentes para desenvolver um trabalho digno e crítico e, no caso, dever da prefeitura e seus órgãos vinculados propiciá-las.

O citado carpete, retirado da sala de aula de teatro há meses sem qualquer outro movimento subseqüente que justificasse tal ação, o fato de o lugar inteiro - corredores, salas, banheiros - estar imundo, o descaso diante das mais simples necessidades para que as aulas sejam realizadas e para que os espetáculos possam ser apresentados, todos esses exemplos são mera manifestação daquilo que os fundamentam: o desrespeito à humanidade das pessoas que ali estão e que direta ou indiretamente se beneficiam do que é construido ali.

Humanidade, sim, pois Arte não é supérflua, Arte não é caviar, Arte não é para quem pode: Arte é o que nos torna humanos e nenhum servidor público - eleito, concursado, celetista ou terceirizado - tem o direito de nos tirar isso. Nenhum ser humano tem o direito de negar a humanidade de outro ser humano, mas é isso que estão tentando fazer conosco ao relegar a nossa Arte a vigésimo quinto plano! É vã a tentativa, pois não iremos nos calar diante desse genocídio.

Isabel Cristina Gonçalves Bernardes - estudante de psicologia, ex-bancária e aluna de teatro

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