Tegucigalpa - O anúncio da saída de Honduras da OEA (Organização dos Estados Americanos) não tem nenhum efeito prático porque o governo interino não tem reconhecimento internacional, afirmou ontem o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza. O anúncio de ruptura foi feito anteontem pelo governo interino hondurenho após visita de Insulza ao país.
O chileno também desaconselhou o retorno ao país do presidente deposto, Manuel Zelaya - que anunciou que voltaria hoje a Honduras numa caravana. Os presidentes Rafael Correa (Equador) e Cristina Kirchner (Argentina) se comprometeram a acompanhá-lo.
O paradeiro de Zelaya era desconhecido ontem. Sua última aparição foi na quinta-feira à noite, em El Salvador, país vizinho a Honduras.
Anteontem, Insulza esteve em Tegucigalpa, onde se reuniu com autoridades e lideranças políticas do país para tentar viabilizar a volta de Zelaya, expulso do país há uma semana.
Em entrevista coletiva pouco antes de deixar Honduras, ontem à noite, Insulza admitiu que “não se viu disposição’’ para a volta de Zelaya.
Insulza, que se recusou ter qualquer contato com representantes do governo Micheletti, voltou a classificar a deposição de Zelaya de “golpe de Estado militar’’.
Em resposta às declarações de Honduras, Micheletti convocou, por volta 22h locais, uma cadeia nacional obrigatória de rádio e TV para anunciar sua retirada da OEA. O presidente interino se recusou a dizer o nome de Insulza, referindo-se a ele como “um cidadão que veio hoje ao nosso país’’.
“Se a OEA acredita que já não existe espaço para Honduras, por este meio [o governo] informa que denuncia a Carta da OEA (...), com efeito imediata’’, afirma o comunicado oficial, lido pela vice-chanceler Martha Lorena Alvarado, com Micheletti ao lado.
Ontem, a Assembléia Geral da OEA faria uma reunião extraordinária para debater o que fará como o ultimato dado na quarta-feira, segundo o qual Honduras tinha 72 horas para reconduzir Zelaya ao poder, do contrário o país seria suspenso do organismo.
Caso o ultimato seja cumprido, Honduras será o segundo país a sofrer esse tipo de punição. O primeiro e único foi Cuba, afastado em 1962.
Com a punição, Honduras perderia o direito de participar das sessões da Assembleia Geral e de qualquer outro corpo ou atividade da OEA. A medida, porém, não inclui nenhum tipo de sanção econômica.
Toque de recolher
O governo Micheletti prorrogou por mais um dia o toque de recolher em todo país. Com a medida, continua proibida a circulação entre as 22h e as 5h. Foram suspensos alguns direitos constitucionais durante esse horário, como o de reunião. O governo também suspendeu o limite de 24 horas para prisões preventivas.
Apesar de o comércio estar funcionando normalmente, o país tem registrado um crescente número de protestos, tanto favoráveis quanto contrários à deposição de Zelaya.