Washington - Com 33 votos de representantes de seus países-membros, a Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu suspender a participação de Honduras no orgão interamericano em resposta ao golpe de Estado que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya. Ele foi deposto há uma semana após tentar realizar um referendo para permitir a reeleição presidencial e promete voltar neste domingo, junto de outros líderes do continente.
Esta é a primeira vez desde a assinatura da Carta Democrática Interamericana, em 2001, que os países-membros da OEA decidem pela suspensão. A única medida do tipo anterior a esta ocorreu em 1962, quando Cuba foi tirada do bloco.
Segundo o chanceler argentino, Jorge Taiana, os países-membros do maior órgão comercial americano votaram no sistema de mão erguida a suspensão de Honduras. Para que a decisão fosse aprovada, precisavam de ao menos dois terços (24) dos votos.
Os países ainda defenderam que “nenhuma gestão implicará o reconhecimento do regime surgido desta ruptura da ordem constitucional” e exigiram que Honduras deve continuar cumprindo suas obrigações em matéria de direitos humanos.
Mais cedo, o secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, havia afirmado que os chanceleres dos países do continente deveriam suspender Honduras da entidade.
Após visita ao país, anteontem, Insulza afirmou que o governo interino e a Corte Suprema de Honduras “não têm nenhuma disposição para modificar sua conduta” para restituir o presidente deposto, restaurar a democracia e o estado de direito, e portanto “não existe alternativa” à suspensão desse país.
Essas são as conclusões às quais chegou Insulza após as negociações diplomáticas desta semana e a viagem que fez na sexta-feira a Tegucigalpa, onde se reuniu com o presidente da Corte Suprema de Justiça, Jorge Rivera.
Ele explicou que “não há normalidade” em Tegucigalpa, “mas também não sinais de violência”, embora exista o risco de que a crise derive em uma situação de tais magnitudes.