Política

Rodrigo discutirá mais obra do esgoto

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 5 min

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) decidiu que vai buscar novas alternativas para construir a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Distrito Industrial 1 e as obras correlatas antes de pensar em financiar o tratamento do resíduo pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. O município se inscreveu no programa. Porém, o chefe do Executivo quer antes licitar o projeto executivo da ETE para decidir o modelo e assim poder discutir com a sociedade como será o pagamento desse empreendimento.

“O que a gente quer deixar bem claro e tranqüilizar a todos é que nós não vamos fazer empréstimo nenhum agora. Vamos continuar investindo os recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) como vem sendo feito hoje. Estamos discutindo todas as possibilidades, o que precisamos é encontrar soluções. Tendo o projeto executivo pronto, a gente pode até ver que parte da obra o Departamento de Água e Esgoto (DAE) pode fazer. Precisamos saber exatamente quanto custa a obra. A partir disso, vamos poder ver quanto temos na conta do Fundo e quanto de recurso a gente teria que emprestar. Isso não quer dizer que a gente vai emprestar. Mas precisamos ter esse projeto aprovado junto ao Ministério das Cidades para que a gente possa discutir financeiramente”, afirma.

Para Rodrigo, o empenho do município será em conseguir dinheiro a fundo perdido junto ao governo federal e estadual, além de buscar programas que contemplem a área de saneamento. “Estamos fazendo uma discussão forte com o governo do Estado, intermediada pelo deputado Pedro Tobias (PSDB). Queremos mostrar para o Estado que essa é uma obra importante para se investir. E vamos também fazer um trabalho forte junto ao governo federal para tentar liberar dinheiro a fundo perdido. É um esforço político que vai ter de ser feito para tentarmos garantir a maior quantidade possível de recursos para Bauru. Além disso, temos as emendas genéricas dos deputados federais para buscar.”

Bauru é uma das últimas cidades do Estado de São Paulo que não possui tratamento de esgoto. Ao todo, são lançados 1,5 mil litros de esgoto por segundo no rio Bauru, que contaminam também o rio Tietê, trazendo impacto ambiental para região. A principal fonte de poluição da Bacia Hidrográfica do Médio-Tietê é o esgoto de Bauru. Segundo o prefeito, algumas ações estão sendo feitas, como a despoluição do córrego Palmital, com dois quilômetros de interceptores.

“Esse córrego é afluente do Água do Castelo, que é o córrego que vai estar cortando a avenida Nações Norte. Estamos também com a obra dos interceptores do córrego da Grama, com mais quatro quilômetros de interceptores. É uma obra muito grande, que será finalizada até outubro. Ao mesmo tempo, estamos conduzindo com estrutura própria a conclusão dos interceptores do Água da Ressaca, que vai ligar o esgoto do Largo Sul até o Parque das Nações. Isso o DAE está fazendo com estrutura própria”, diz.

A expectativa do chefe do Executivo é que num prazo de 12 meses, não haverá mais esgoto dentro de Bauru. Tudo estará canalizado e interligado por meio de interceptores. “O DAE está contratando os grandes interceptores do rio Bauru, que vão tirar o esgoto de dentro da avenida Nuno de Assis. Nós estamos licitando também com recurso do Fundo de Tratamento de Esgoto o término da ETE do Gasparini, que é a Estação Candeias, com estrutura própria do DAE, a de Tibiriça, que vai ser inaugurada este ano”, diz.

Imbróglio

A inscrição de Bauru no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal para conseguir linha de financiamento de até R$ 100 milhões gerou muita polêmica no município. Entidades, vereadores e até instituições se mobilizaram contra o possível endividamento do município para esta obra. “Não vamos fazer nenhuma loucura e nem fazer nada sem antes discutir todas as possibilidades. Além disso, não haverá empréstimo agora”, afirma Rodrigo.

O DEM chegou a publicar uma carta na imprensa na qual afirmava seu posicionamento contrário ao empréstimo. O PSDB fechou questão contra o financiamento do esgoto. Outros partidos, como PPS e o PTB, também se manifestaram contra.

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Projeto de Bauru é misto

A rede de interceptores que está sendo instalada na cidade irá levar o esgoto para o rio Bauru. Numa segunda fase, outros interceptores irão levar o esgoto do rio Bauru até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). De acordo com o projeto básico desenvolvido pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), a tecnologia usada em Bauru é mista, ou seja, envolve processo anaeróbico e aeróbico.

“O esgoto vem pelo interceptor, passa por uma primeira grade para tirar o lixo, depois vai para um tanque de areia. Depois vai para um tanque areado, passa para um digestor e, posteriormente, vai para os tanques de decantação, que o chamada Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente (Rafa). É o modelo mais usado para cidades do tamanho de Bauru. O projeto básico já definiu a tecnologia. Isso não quer dizer que ele não possa ser melhorado no executivo”, afirma o prefeito.

A utilização de processos anaeróbios para reduzir o poder poluente dos resíduos líquidos vem se destacando, pois, além de reduzir a poluição ambiental, recupera o poder energético do resíduo na forma de fertilizante e biogás. Porém, tudo isso será discutido quando a administração municipal tiver, enfim, o projeto executivo nas mãos, que deve custar aos cofres públicos municipais cerca de R$ 1,5 milhão.

“O projeto executivo é extremamente complexo. No passado, eles licitavam o projeto junto com a obra, agora nós desmembramos, até para termos uma garantia do valor dessa obra. Por isso, está sendo mais demorado para sair a licitação. Mas esperamos que, no segundo semestre, a licitação seja iniciada”, afirma o presidente do DAE, Rafael Ribeiro.

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