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Museu Ferroviário: 40 anos da lei de sua criação

Henrique Perazzi de Aquino e Fábio Paride Pallotta
| Tempo de leitura: 3 min

Estamos às vésperas de uma data redonda e das mais importantes na criação e funcionamento de um museu ferroviário em Bauru. Em 11/7/1969, através da publicação da Lei 1425, o então prefeito Alcides Franciscato dava o pontapé inicial para o que viria a ser, anos depois, nosso importante e mais movimentado museu. Há exatos 40 anos, na transcrição do texto da lei, lá estava manifestada a intenção do poder público: “O doutor Alcides Franciscato, Prefeito Municipal de Bauru, faz saber que a Câmara Municipal aprovou e ele sanciona e promulga a seguinte Lei. Artigo 1.º - Fica instituído o Museu Ferroviário de Bauru, entidade sob a fiscalização da Prefeitura Municipal de Bauru, destinada a acolher e preservar material ferroviário para a exibição ao público”.

No seu artigo 2.º está explicitado como isso seria feito: “A Prefeitura Municipal designará comissão especial para entrar em entendimentos com os órgãos diretivos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana e outras ferrovias existentes no país, visando à arrecadação de peças que deverão integrar o patrimônio da entidade referida no artigo 1.º”.

A partir da entrada em vigor dessa lei, foi intensificado todo um procedimento, de certa forma moroso e desgastante, até a concretização do sonho de ver aberto e funcionando o tão aguardado museu ferroviário no famoso e importante entroncamento de Bauru. Os passos seguintes não foram fáceis e demoraram quase duas décadas até serem totalmente viabilizados.

Muito se fala sobre essa outra data, a de 1986, já então na administração do prefeito Tuga Angerami, quando, com a Lei n.º 2731, é modificado o nome do museu e criada uma Comissão Provisória para sua instalação, dando sua abrangência regional e possibilitando sua tão aguardada abertura, que só viria a acontecer em 26/08/1989 (20 anos em agosto). Porém, se faz necessário lembrar que o passo inicial foi dado lá atrás, a intenção já existia e para que tudo fosse concretizado em 1989, muito foi feito, com infindáveis reuniões e um demorado acordo entre as partes (empresas férreas e prefeitura), tanto na localização de suas instalações quanto na separação de acervo e criação de corpo técnico. Resgatar e valorizar esses anos de intenso trabalho de bastidores é mais do que necessário.

Hoje, com uma designação mais abrangente, a de Museu Ferroviário Regional de Bauru, inclusive possibilitando o funcionamento de um Conselho Deliberativo, inativo no momento, mas que na sua reativação já proposta em uma nova formatação democraticamente permeabilizada com elementos da sociedade civil poderá ser seu pólo transformador diante dos novos tempos que se apresentam. Manifestada há 40 anos, essa vontade permanece viva até nossos dias e com todo o acervo férreo nacional passando por processo de inventário e o novo acompanhamento dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se faz urgente a reativação de seu Conselho Deliberativo, que junto com nossas entidades e a do próprio museu, serão decisivos na boa condução e encaminhamento de ações futuras.

Diante de tudo o que foi presenciado com a privatização e derrocada da questão férrea no Brasil, a preservação do rico patrimônio bauruense continua na ordem do dia. Sua destinação final continua sendo discutida e muitas edificações precisam ter sua transferência oficializada pelo governo federal. Com a união de todas essas forças, Bauru continuará mantendo sob seu domínio e propiciando uma utilização das mais edificantes para seu parque ferroviário. Um sonho de muito mais de 40 anos tornando-se realidade.

Os autores, Henrique Perazzi de Aquino e Fábio Paride Pallotta, são, respectivamente, presidente e vice-presidente da Associação dos Amigos dos Museus de Bauru - AMB - e também fazem parte da Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo de Bauru - presidida por João Donda e com Ricardo Bagnato na vice-presidência

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