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Antigo médico da família acabou

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Aquele antigo médico da família, que conhecia gerações com o mesmo sobrenome, agora só é facilmente encontrado em novelas de época. “Na medicina suplementar (plano de saúde), essa figura desapareceu. O paciente tem que achar em qual especialista deve ir. Começa aí um desvirtuamento”, comenta o conselheiro do Conselho Regional de Medicina (CRM), Carlos Alberto Monte Gobbo.

De acordo com ele, o ideal seria o paciente procurar um clínico geral para um diagnóstico topográfico da doença. “Se ele (o médico) não se julgar competente para tratar e precisar de um auxílio, encaminha ao especialista. Isso traria otimização para o sistema de saúde. Mas esses pacientes (de plano de saúde) ainda têm a oportunidade de escolher médicos dentre os credenciados e acabam mantendo uma relação médico-paciente.”

No entanto, o paciente está sujeito a optar pelo especialista errado. Corre o risco dele procurar um urologista, sendo que o correto seria consultar um gastroenterologista. A conseqüência é uma via-sacra em consultórios e unidades de exames por imagens, por exemplo. “Infelizmente, o sistema criou hoje essa cultura da especialização. O próprio paciente acha que o clínico geral é um médico de segunda linha. E não é isso. Temos que formar bons clínicos gerais”, diz Gobbo.

Na opinião dele, porém, a origem do problema está nas próprias universidades. “Antigamente, elas formavam pelo modelo europeu, modelo de uma avaliação mais holística do ser humano. Agora o modelo é americano, departamentalizado. O aluno não sai com uma boa formação geral. Costumo dizer para meus residentes que eu sinto como se eles estivessem passeando num shopping. Depois de seis anos, entra numa loja para fazer a especialização dele. A faculdade precisa formar um indivíduo com uma formação generalista mais sólida”, afirma.

O conselheiro do CRM pondera ser muito difícil, atualmente, um médico dominar todas as tecnologias e tratamentos.

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