Assim como o pediatra, a fonte de renda do clínico geral são as consultas, atualmente mal remuneradas tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde. A conseqüência é que os profissionais estão sumindo do mercado. Mas antigamente a história era bem diferente, lembra Semi Sabbag, 82 anos.
Em 1952, quando começou a clinicar em Duartina, não era apenas bem remunerado. Um único médico conhecia várias gerações da mesma família, sua trajetória e problemas.
“Hoje o paciente vem com um livrinho (do plano de saúde). Não optou pelo médico, por conhecê-lo”, comenta. Semi recorda-se das amizades que construiu ao visitar seus pacientes em casa. “Quando havia necessidade de internação, dava assistência. Todo dia fazia visita, às vezes duas ao dia, dependendo da necessidade. Era bem remunerado.
O médico antigamente ganhava mais do que atualmente, não há dúvida”, comenta.
Aposentado e com horas livres, hoje Semi acompanha pacientes da unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB), que precisam fazer exames em outras unidades. “Antigamente, o médico era mais respeitado. Hoje, por qualquer coisa, a gente percebe que o paciente vai na delegacia registrar um boletim de ocorrência”, constata.