Os principais partidos de oposição à administração de Rodrigo Agostinho (PMDB) se dizem aliviados com a mudança de postura do prefeito que decidiu não insistir em recorrer a financiamento para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Distrito Industrial. Antes, Rodrigo definirá o modelo e tentará buscar dinheiro a fundo perdido.
O temor de o município contrair novo endividamento provocou ácidas críticas de partidos e de veradores de oposição. Nem a própria base de sustentação estava embarcando na “aventura”.
Um dia depois de o prefeito dizer que vai buscar novas alternativas, antes de recorrer a financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a atitude do peemedebista foi elogiada com ressalvas.
O presidente do diretório municipal do DEM, Dudu Ranieri, apesar de reconhecer que o recuo do prefeito foi importante, não deixou de alfinetar o atual governo. “Só age sob pressão porque falta maturidade administrativa. A impressão que passa é que o prefeito não raciocina para tomar algumas atitudes”, declarou. Depois Dudu emendou que Rodrigo não é um “mal intencionado”, mas jogaria o município numa nova situação de insolvência se recorresse a empréstimo no valor de R$ 100 milhões para terminar as estações de tratamento de esgoto.
O DEM chegou a divulgar carta à imprensa contra o empréstimo, o que ajudou a marcar posição antecipada e deixou claro que o prefeito encontraria resistência na Câmara para aprovar um pedido de autorização do Legislativo para assinar contrato com o governo federal. O PSDB, por exemplo, decidiu marcar posição em reunião partidária engrossando ainda mais as fileiras da ala dos contra.
O vereador Marcelo Borges (PSDB) lembra que na campanha eleitoral o prefeito prometeu que conseguiria o dinheiro a fundo perdido, ou seja, a verba viria direto para a obra sem contrapartida da prefeitura. “O que ele pretendia (financiamento), sabe que não vai conseguir. Ele não vai ter os votos na Câmara para esses empréstimos, porque os partidos fecharam questão contra”, declarou o tucano.
O dirigente do PPS, Arnaldo Ribeiro, disse que Rodrigo tomou a melhor atitude ao desistir do financiamento porque assumiria uma enorme dívida que seria custeada pelo município.
Ele lembra que o atual prefeito, quando militava como vereador, se manifestou contra empréstimo na gestão de Nilson Costa e depois se empenhou no governo Tuga Angerami para aprovar a atual tarifa que possibilitou arrecadar recursos para o Fundo do Esgoto. O contribuinte recolhe uma quantia embutida na conta de água, que é revertida a um caixa gerido pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para os investimentos a longo prazo nas estações de tratamento.
Arnaldo Ribeiro disse que a tarifa de esgoto possibilita viabilizar as obras sem endividamento. “Quem ganha é a cidade com essa postura do prefeito de desistir do financiamento. Vamos continuar com a posição firme contra e trabalhar com o que já tem, justamente os recursos do fundo”, declarou ontem à tarde o dirigente do PPS.