Articulistas

Seis por meia-duzia

Fábio Freire Lara
| Tempo de leitura: 2 min

Interditaram a avenida Comendador José de Silva Martha nesta semana! Fiquei até animado. Quem sabe vão finalmente instalar a tal cancela no cruzamento com a ferrovia, evitando o risco de acidentes que facilmente podem resultar em vítimas fatais. Abro o jornal e ansioso leio a reportagem sobre a obra. Qual o que... Tudo isso para trocar os dormentes. Obra motivada pelo previsto aumento de tráfego que ocorrerá naquele local. Fico perplexo: a ALL, Emdurb, prefeitura e, provavelmente, até o bispo, que é novo no pedaço, reconhecem que o fluxo de veículos aumentará ainda mais, inclusive veículos pesados, como consta na matéria publicada. Mas as providências se resumem à troca de dormentes, por outros dormentes. Quisera estivéssemos a substituir dormentes por “acordantes”. Isso mesmo, “acordantes”. Acorda Bauru!!!

Vamos ficando desanimados com a sucessão de más notícias que nos traz o periódico. Continuo perplexo com a magistral articulação ocorrida na Câmara para impedir que o dinheiro público possa fluir em nossa direção e ser investido em obras de infra-estrutura que iriam beneficiar de imediato toda a população. Fico inconformado não com a decisão em si, mas com a superficialidade com que as posições são tomadas, sem qualquer análise mais profunda de viabilidade ou tentativa de negociação que permitisse a utilização de instrumentos de engenharia financeira atrelando-se, por exemplo, o fluxo de pagamentos do tal financiamento à antecipação de recebíveis do próprio fundo de esgoto. Falta criatividade, falta vontade. Criticar o prefeito por não fazer as coisas acontecerem na velocidade desejada é bem mais fácil, com certeza. Encontrar maneiras de fazer as coisas acontecerem? Ora, isso não é problema meu. Eu não sou governo...

Pior que isso só mesmo ver estes mesmos edis fazendo planos mirabolantes de enfiar ainda mais dinheiro público para dar cor ao albino paquiderme, anunciado como aeroporto internacional e que nos seus três anos nada produziu. Pois continuam a insistir: algumas dezenas de quilômetros de novas estradas de pista dupla pra cá, outras dezenas de quilômetros de estradas de pista dupla pra lá, algumas centenas de metros de pista de pouso pra cá, outras readequações na pista existente pra lá e... Pronto. Lá se foi mais um saco de dinheiro público. Ora, dinheiro público é dinheiro público! Se é para ser investido em algum lugar, que seja em Bauru. E se é para ser investido aqui, que seja em obras prioritárias e que tragam o maior benefício a maior parte dos cidadãos, os verdadeiros donos desses recursos. De resto, só mesmo acreditar que é destino da avenida não receber uma simples cancela. Nada será feito enquanto os acidentes vitimarem apenas os Josés da Silva... mas que não ousem avançar no sobrenome.

O autor, Fábio Freire Lara, é corretor da bolsa e colaborador do JC

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