Bairros

Bauru noturna: bairros respiram calmaria de cidade pequena

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Que o município de Bauru cresce num ritmo acelerado e que o mercado de serviços, atento à expansão da cidade, investe cada vez mais nos bairros, todo mundo já sabe. Em Bauru é possível encontrar bairros, como Vila Falcão, Núcleo Habitacional Mary Dota e jardins Bela Vista e Redentor, opções de comércio e serviços que, há dez anos, quem reside nesses locais jamais imaginaria ter com tanta facilidade perto de casa.

Quem reside no Núcleo Mary Dota, por exemplo, encontra praticamente tudo o que precisa em seu dia-a-dia no bairro. O mesmo acontece com os moradores do Jardim Redentor e do Núcleo Geisel, que assistem ao comércio nesses locais se expandir numa incrível velocidade. Lojas diversas, rede bancária e as grandes redes de supermercados parecem ter direcionado seus olhos para fora da área central.

Não que as artérias comerciais da cidade estejam desaquecidas, pelo contrário. Tanto a área central quanto a região da zona sul mantêm o ritmo constante de crescimento apontado em levantamentos realizados por associações e entidades comerciais. Mas os bairros da cidade, principalmente os que concentram um número maior de moradores, começam a ser vistos com bons olhos pelos investidores.

Mas se durante o horário comercial (período diurno) os bairros respiram o ar de cidade grande e em desenvolvimento, no período noturno esses mesmos locais vivem outra realidade. Foi o que constatou a reportagem do JC nos Bairros ao visitar esses e outros bairros da cidade a partir das 21h.

Se durante o dia a movimentação de pessoas e veículos chega a ser similar à da área central, à noite, esses mesmos bairros ganham ares de cidades pequenas localizadas ao redor de Bauru. Na noite de sexta-feira, 3 de julho, era possível passar por diversas ruas desses bairros, que durante o dia registram grande movimentação, sem encontrar uma pessoa.

Enquanto os comerciantes da zona sul se preparam para receber seus freqüentadores, o comércio noturno nesses bairros se prepara para fechar as portas. No estabelecimento de Michel Marcolongo, menos da metade das mesas estavam ocupadas por clientes. O movimento da casa é garantido mesmo pelo disque-entrega, que além de atender os moradores do Núcleo Beija-Flor, abrange toda a cidade. A informação é do próprio dono da pizzaria e lanchonete.

“A gente fica de portas abertas até a meia-noite a semana toda porque tem os pedidos por telefone. Mas se fosse atendimento apenas no balcão, ficar até esse horário compensaria apenas na sexta e sábado”, explica.

Até mesmo outros estabelecimentos, além de bares, lanchonetes e pizzarias, não têm motivos para manter as portas abertas até tarde nos bairros. Alex Terzi Guimarães, funcionário de uma drogaria no Núcleo Mary Dota, garante que o movimento noturno só existe pela facilidade do serviço de entrega. “Claro que, estando aberto, também temos movimento no balcão, mas à noite a entrega domiciliar garante o funcionamento”, relata Guimarães.

Circular pela maior parte dos bairros de Bauru durante à noite remete à sensação de estar andando pelas cidades menores existentes na região. Casas com suas luzes apagadas e o silêncio rompido apenas pelo latido de cachorro desconfiado de guarda no portão.

Para o antropólogo, membro do Instituto Brasileiro Histórico de Antropologia (IBHAN) e professor da Universidade do Sagrado Coração (USC), Cláudio Eduardo Badaró, existe ainda uma barreira que impede que tanto poder público quanto investidores privados invistam nesses locais. A partir do momento em que esses bairros receberem investimentos e oferecerem as diversas opções de vida noturna existentes para seus moradores, essa realidade será mudada e o clima de cidade pequena, ainda predominante nesses bairros, deverá desaparecer.

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Bares e lanchonetes são exceção

Na noite dos bairros de Bauru, a tranqüilidade noturna só é rompida por um ou outro bar ou lanchonete que ficam com suas portas abertas até que o último cliente resolva voltar para casa. Achar um lugar para fazer um lanche ou tomar uma bebida depois da meia-noite pode ser tarefa não muito fácil.

Luciana Martins, moradora do Jardim Redentor, conta que já está acostumada com a realidade do bairro. “Até por volta das 10 horas da noite a gente pode freqüentar pizzarias e lanchonetes no bairro. Depois desse horário, o jeito é partir para o Centro”, conta.

Viviane Martinez, moradora da Vila Falcão, afirma que a realidade encontrada atualmente no bairro é muito melhor do que há dez anos. “Hoje temos várias opções, pizzarias, lanchonetes e casas que funcionam pelos menos até meia-noite. São opções para sair com a família”, conta.

A moradora diz que para quem é jovem ainda faltam opções de diversão. “O bairro tem estrutura para a gente sair durante a semana, mas não oferece muitas opções para o final de semana”, completa.

Edi Galesso Neto, que reside no Jardim Bela Vista, tem opinião parecida à da moradora da Vila Falcão. “Aqui no Bela Vista tem várias opções para uma “escapadinha” durante a semana, mas para o final de semana ainda as opções existentes não conseguem competir com as da região central”, acredita.

Em todos os bairros mais populosos de Bauru é possível encontrar pelas praças, ruas e avenidas traileres que comercializam lanches e que reúnem grande número de pessoas até certa hora da noite. “Passou das 23 horas, o movimento cai muito; nas noites frias o nosso expediente acaba mais cedo”, conta Rogério Nunes de Castro, que trabalha em um desses locais no Jardim Redentor.

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