Boa parte das casas noturnas em funcionamento na cidade procura se instalar fora da área residencial. Isso talvez explique porquê os investidores desse tipo de ramo não dêem preferência aos bairros por concentrarem um grande número de residências. As casas noturnas instaladas na cidade estão mais próximas de áreas comerciais e outras se instalam próximo das rodovias, que oferecem acesso facilitado aos freqüentadores.
Muitos moradores dos bairros também não gostam da proximidade com esse tipo de estabelecimento. “Nada contra esses estabelecimentos, mas aqui a maior parte dos moradores acorda cedo e precisa descansar. O barulho dos freqüentadores pode atrapalhar”, observa Maria Tereza de Fátima, que reside numa das ruas que cortam a principal via do Núcleo Mary Dota, a avenida Marcos de Paula Rafael.
Ela também cita que, como o bairro foi projetado, as casas noturnas não teriam espaço para oferecer a comodidade de um estacionamento para seus clientes, que teriam que deixar seus carros na rua.
Alguns bairros, como o próprio Mary Dota e a Vila Pacífico, já tiveram casas noturnas em funcionamento por algum tempo, mas deixaram de funcionar. Paulo Roberto Penatti, proprietário de um dos bares mais tradicionais de Bauru, concorda que a proximidade com a área residencial pode impedir o sucesso do estabelecimento.
“O Armazém também está localizado fora da área central, mas na época em que foi aberto, a avenida Pedro de Toledo era a principal via de acesso para os jovens que freqüentavam as universidades existentes na cidade. Além disso, a região era cercada por repúblicas onde centenas de jovens, grande parte do público da casa, residiam”, explica. Na opinião dele, é preciso haver o investimento pioneiro que desperte o interesse do empresário para o local. “É uma questão de moda, e hoje a zona sul é a preferida”, completa.