O aumento da criminalidade de Bauru e a preocupação com a segurança da população foram temas recorrentes durante a sessão de ontem do Legislativo. Vereadores do PTB, PSDB, PPS e PMDB usaram o espaço regimental da tribuna para discursar sobre o assunto e cobrar soluções imediatas, como a instalação de um segundo Batalhão da Polícia Militar (PM) no município.
O presidente da Câmara Municipal de Bauru, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB), avalia que a cidade é prejudicada pela quantidade de unidades penitenciárias que abriga. “O impacto negativo é muito grande, principalmente pela visível instalação do crime organizado na cidade”, pontua.
Para o vereador, a instalação de um segundo batalhão garantiria maior segurança à população. No final do ano passado, o Jornal da Cidade iniciou a discussão sobre a criação de uma unidade exclusiva para atender Bauru. “Temos de aumentar o efetivo de policiais na cidade. A quantidade de homens que atuam aqui vem diminuindo. Muitos foram transferidos e não houve reposição dos cargos”, afirma.
Para mostrar a necessidade de mais um batalhão da PM, ele compara Bauru, que possui quatro unidades prisionais a São José do Rio Preto. “Aqui temos quatro presídios. Lá só tem um IPA (Instituto Penal Agrícola), mas são dois batalhões. Por isso, afirmo que nossa polícia é exemplar”, elogia. Pastor Luiz avalia que o governo faz grandes investimentos em Bauru, mas a área de segurança pública não foi contemplada. “Não podemos negar que o Estado tem feito obras, incentivado a cidade. Mas ainda deixa a desejar nessa área”, diz.
Ele afirma que está reunindo lideranças em apoio ao projeto de mais um batalhão em Bauru. “Buscamos reunir as forças vivas da cidade, empresários, entidades, para investir nessa idéia. É importante estarmos unidos para isso”, destaca.
O vereador é favorável ao apoio da prefeitura para o projeto de lei da deputada estadual Ana Perugini (PT) - que obriga o governo do Estado a compensar e mitigar os ônus causados às cidades que abrigam ou venham a abrigar unidades prisionais. “É necessário existir essa contrapartida. O governo dá muita atenção a Bauru e é importante que também apoie a segurança dos nossos cidadãos. A Câmara está à disposição para ajudar no que for necessário”, diz.
O presidente do Legislativo lembra que foi entregue pedido ao comandante-geral da Polícia Militar e ao chefe da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), para que fosse agendada audiência com o secretário estadual de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto.
Já o vereador Moisés Rossi (PPS) afirma também que não só a Polícia Militar precisa melhorar. “Temos de lembrar também que a Polícia Civil em Bauru está deficitária. A PM prende, mas leva o criminoso para a Civil. A criminalidade aumenta a cada dia. Queremos mais um Batalhão da PM na cidade, isso é importante, mas precisamos melhorar a Civil.”
Para o líder do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) na Câmara, Renato Purini, há necessidade de empenho de todos os políticos, oposição e situação, para que a instalação de mais um batalhão em Bauru seja viabilizada. “É uma forma de barrarmos o aumento da prática do crime. Precisamos reforçar o apelo”, afirma.
O assunto levou à discussão também sobre violação de cadáveres. No último final de semana, cerca de 50 jazigos do Cemitério da Saudade foram violados. Alguns caixões foram retirados das sepulturas. Há a possibilidade de furto de ossos. No final de junho, 23 túmulos tinham sido vandalizados. Em abril, outros 32. “A iluminação é péssima, isso contribui para aumentar a criminalidade em Bauru. Precisamos resolver essas questões”, diz Amarildo de Oliveira (PPS).
O tucano Marcelo Borges lembrou, na tribuna, sobre o projeto de sua autoria que pretende regularizar a instalação da Base Leste/Mary Dota da Polícia Militar. É que três projetos de lei já foram feitos e votados para doar a área, porém, verificou-se que a área está afetada junto à prefeitura como sistema de lazer e não poderia ser construído nada naquele local.