As indústrias exportadoras de Bauru continuam sem motivos para festejar em 2009. Apesar das vendas ao mercado externo terem apresentado uma melhora no segundo trimestre, a comparação com o ano passado continua desanimadora. A diretoria do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru avalia que o saldo da balança comercial permanece negativo até o final do ano.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que em janeiro deste ano, as indústrias de Bauru exportaram um total de US$ 6,3 milhões. Porém, no mesmo mês no ano passado, foram exportados US$ 12,6 milhões.
A diferença entre exportações e importações, que em janeiro do ano passado registrava média de US$ 10 milhões, neste ano não ultrapassou US$ 7 milhões. Em abril, maio e junho a balança comercial estabilizou em US$ 5 milhões ao mês. Em dezembro do ano passado, auge da crise no País, o saldo entre as vendas e compras de Bauru no Exterior foi negativo: a diferença foi de US$ 579 mil em importações.
A crise financeira mundial fez os Estados Unidos e a União Européia, principais importadores de produtos brasileiros, fecharem os cofres. Como estes mercados ainda não se recuperaram, as vendas internacionais continuam em baixa. Apesar disso, as exportações brasileiras estão reagindo. As bauruenses, também.
O diretor regional do Ciesp de Bauru, Domingos Malandrino, avalia que apesar da melhora, a situação ainda está muito ruim para as empresas bauruenses que, têm como principal cliente o mercado externo. “E vão continuar sofrendo. Acredito que todos os meses de 2009 terão números inferiores a 2008 quanto às exportações. Se conseguirmos fechar com uma variação negativa de 20% está bom. A perspectiva de melhora não será mais do que isso”, avalia.
Malandrino explica que apesar do Brasil se recuperar da crise de forma mais tranqüila que o restante do mundo, os países que mais compram produtos nacionais ainda enfrentam sérios problemas econômicos. “O mercado interno se recuperou mais rápido. Então, a indústria dentro do País terá recuperação mais significativa”, diz.
O dirigente avalia que Estados Unidos e União Européia estão longe de retomar o fôlego do início do ano passado. Enquanto isso, as empresas que têm exportação como foco dos negócios, devem procurar outros mercados. O sudeste da Ásia surge como alternativa.
De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, México, Estados Unidos e China são os três principais fornecedores de produtos para Bauru. Já as exportações bauruenses vão para Bolívia, Filipinas e Paraguai. Eles são seguidos por Argentina, Holanda e Estados Unidos.
A curiosidade é, que apesar da crise, a Holanda aumentou em 74% o volume de compras de produtos feitos em Bauru, na comparação entre o primeiro semestre do ano passado com o deste ano. Já a Bolívia reduziu 54% e a Argentina, 50%.