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Coração original de adolescente transplantada volta a funcionar


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Londres - O coração de da adolescente britânica, Hannah Clark, que funcionou durante quase 11 anos acoplado a outro transplantado, recuperou-se totalmente após a retirada do órgão doado. O caso foi relatado no “Lancet”. Aos oito meses de idade, a paciente, hoje com 16 anos, foi diagnosticada com insuficiência cardíaca devido a uma cardiomiopatia dilatada - condição que faz o coração aumentar de tamanho, deixando-o incapaz de bombear o sangue corretamente para o corpo.

Ela foi submetida a um transplante aos 11 meses. Mas os médicos não retiraram o coração nativo e o órgão doado passou a trabalhar junto com o chamado nativo, assumindo a maior parte do trabalho. Seis anos depois, a menina começou a desenvolver tumores em função das drogas para evitar a rejeição ao órgão transplantado.

A doença, que tem uma taxa de mortalidade de 80%, se mostrou resistente a todos os tratamentos, inclusive à redução das drogas imunossupressoras. No artigo, os autores relatam que a recuperação do coração original permitiu retirar o órgão transplantado para eliminar completamente o uso da medicação. Após três anos da retirada do órgão transplantado, a paciente está recuperada e o coração tem condições de trabalhar sozinho.

“Isso é surpreendente e abre a possibilidade de, no futuro, pensar em preservar o coração nativo nesses casos”, diz João Manoel Rossi Neto, responsável pelo ambulatório de transplante cardíaco do Instituto Dante Pazzanese. “Há doenças cardíacas que não são progressivas e pode haver recuperação do coração”, diz José Pedro da Silva, chefe da de transplante cardíaco da Beneficência Portuguesa.

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