A mortalidade infantil, número de crianças durante o primeiro ano de vida, nos 68 municípios que integram o Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), no qual está incluído Bauru, atingiu seu menor índice em 5 anos em 2008: 12,9 óbitos por mil bebês nascidos vivos. A taxa vêm diminuindo desde de 2006, quando foram registrados 14,3 óbitos por mil.
Para a Secretaria de Estado da Saúde, o aprimoramento da assistência ao parto e à gestante, a ampliação do acesso ao pré-natal, a expansão do saneamento básico e a vacinação em massa de crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são os principais motivos para a queda na taxa de infantil, que é considerado o principal indicador de saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Embora tenha sido registrada uma melhora, a taxa ainda é superior à média do Estado de São Paulo, de 12,5 mortes por mil nascidos vivos. Por isso, os municípios integrantes da DRS-6 participarão do maior programa de combate à mortalidade infantil e materna já criado no Estado de São Paulo. Outras três regiões também participarão da iniciativa: Taubaté, Baixada Santista e Vale do Ribeira.
O projeto tem como pilares o investimento em capacitação de médicos e enfermeiras que atuam nas maternidades públicas, aquisição de equipamentos para melhoria da assistência hospitalar e distribuição de materiais de orientação às gestantes e aos municípios paulistas.
Cerca de 500 médicos e enfermeiras-obstetras do SUS serão treinados por meio do curso Advanced Life Support in Obstetrics, idealizado pela American Academy of Family Phisicians e ministrado no País pela Also Brasil, com objetivo de qualificar esses profissionais para o atendimento de emergências obstétricas.
Também haverá treinamento específico de pediatras da rede pública, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, com enfoque em reanimação neonatal. No total a Secretaria de Estado da Saúde pretende investir cerca de R$ 850 mil somente em capacitações.
O investimento em reformas e modernização da assistência hospitalar à gestante e ao parto será feito a partir de inspeções de técnicos nas principais maternidades públicas dessas regiões. O objetivo é estabelecer um diagnóstico dos principais problemas e definir os recursos materiais necessários para essas unidades, como novos leitos de UTI neonatal, por exemplo.
A Secretaria de Saúde também irá distribuir, em todo o Estado, 400 mil exemplares da “carteira da gestante”, que conterá informações a serem preenchidas sobre o atendimento realizado nas unidades básicas de saúde e dicas sobre cuidados durante a gestação, além de cinco mil manuais sobre assistência pré-natal para os profissionais que trabalham nos postos de saúde.
Os Ambulatórios Médicos de Especialidade (AME) irão concentrar a realização do pré-natal de alto risco, para gestantes acima de 35 anos ou que apresentem problemas como hipertensão e diabetes, por exemplo. Já são 15 os ambulatórios em funcionamento no Estado, e até 2010 serão 40 unidades, que reunirão consultas com especialistas e exames em um mesmo local. A inauguração do AME de Bauru está prevista para agosto.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, trata-se de um grande desafio para o Estado.
“Este é um projeto ambicioso, que pretende proporcionar os elementos necessários para que os municípios paulistas cuidem adequadamente de suas gestantes, ofereçam atendimento de qualidade desde o pré-natal até o pós-parto e, conseqüentemente, reduzam suas taxas de mortalidade infantil e materna”, diz.