Geral

Cinto de segurança é ignorado por 70% dos passageiros do banco de trás

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Todo mundo sabe, mas muita gente não obedece. É assim que o brasileiro se comporta em relação ao uso obrigatório do cinto de segurança no banco de trás dos automóveis. Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) com universitários da Capital mostra que 70% dos entrevistados não costumam usar o equipamento de segurança quando estão no banco de trás. Em Bauru, mais de 3 mil pessoas foram multadas neste ano por não usarem o equipamento.

Números da Sbot mostram que apesar do uso de cinto de segurança no banco de trás ter evoluído entre 2007 e 2009, a grande maioria dos condutores admite que não usa o equipamento. Para Aparecido Bento, chefe do Grupo de Operações de Trânsito (GOT), da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), falta costume por parte dos passageiros de colocar o equipamento de segurança e também dos motoristas, que não exigem de quem está transportando o uso do cinto.

“Costumo apitar, dar um toque de sirene, para avisar motoristas e passageiros que é exigido o uso do cinto de segurança para todos no carro”, afirma Bento. Luiz Felipe de Castro, diretor do departamento de infrações de trânsito da Emdurb, é categórico. “O cinto não está lá por acaso. É para a segurança de todos. Ele evita a morte e diminui a gravidade das lesões”, diz.

Mesmo assim, todos os meses mais de 500 condutores bauruenses são flagrados pela Polícia Militar (PM) e pelas agentes de trânsito, os azuizinhos, sem o equipamento de uso obrigatório. O número de passageiros flagrados sem o cinto de segurança é menor, um total de 189 de janeiro a maio. Mas isso muito mais pela dificuldade de visualização da irregularidade.

Para Castro, o motorista é o principal responsável pelo cumprimento da determinação. “É ele que será multado em caso de irregularidade e receberá a pontuação em sua carteira”, pondera. Além disso, ele é uma dos principais prejudicados em caso de acidentes.

De acordo com a Sbot, quando um carro que leva um passageiro de 60 quilos no banco de trás colide a uma velocidade de 50 quilômetros por hora, a pessoa sem o equipamento é arremessada contra o banco da frente pesando mais de uma tonelada.

E a avenida Nações Unidas, uma das principais vias de Bauru, tem velocidade máxima permitida de 60 km/h na maior parte de sua extensão. Ou seja, mesmo dentro da cidade o uso do cinto de segurança no banco de trás pode ser a diferença entre vida ou morte em caso de acidente.

Castro lembra que o risco é ainda maior se o passageiro for uma criança. De acordo com os dados da Sbot, uma criança de até 20 quilos, sem cinto de segurança no banco de atrás, em colisão a 50 km/h, provoca um impacto de cerca de 300 quilos no banco da frente.

Para estimular o uso do equipamento de segurança, a Emdurb investe em campanhas educativas. “Há dois meses fizemos distribuição de panfletos alertando sobre a importância do cinto no banco de trás, entre outras medidas de segurança”, destaca Bento se referindo à campanha “Motorista, faça sua parte no trânsito”.

Castro ressalta que além da conscientização de condutores, a Emdurb aposta na educação infantil. “Há um trabalho diário nas escolas. O objetivo é investir nos futuros condutores”, afirma.

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Infração

Não utilizar o cinto de segurança é, segundo o Código de Trânsito Brasileiro, infração grave, com multa de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação. Não transportar crianças com até 10 anos com as medidas de segurança necessárias é considerada uma infração gravíssima, com perda de sete pontos na carteira e multa de R$ 191,54.

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