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Reposição hormonal previne até mal cardíaco nos homens

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Comum para as mulheres na menopausa, a reposição hormonal também é um importante aliado na prevenção de doenças para os homens acima dos 50 anos. Com a diminuição da testosterona ao longo dos anos, num processo natural do envelhecimento, o homem pode sofrer uma série de problemas de saúde, entre eles o aumento da gordura no abdome, o que pode desencadear problemas cardíacos graves. Há possibilidade de haver perda de massa óssea, com risco de osteopenia ou osteoporose.

O assunto, ainda tabu para grande parcela do público masculino, será debatido em palestra aberta aos interessados hoje, em Bauru. O urologista Ernani Rhoden, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), ressalta que, embora para alguns homens ainda seja difícil procurar tratamento para o chamado distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (Daem), o preconceito a respeito do problema vem reduzindo a cada ano. “Ainda existe uma certa resistência, mas bem menor do que existia há cinco anos. Os homens estão entendendo que estas alterações são parte do processo de envelhecimento, mas que existem maneiras de tratá-las e melhorar a qualidade de vida deles”, comenta.

Entre os efeitos do declínio hormonal estão diminuição da libido, disfunção erétil, apatia, anemia, déficit de memória, depressão e mau-humor. “O grande problema é que a maioria dos sintomas é muito inespecífico e o paciente não os atribui à queda hormonal”, observa o endocrinologista Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

E é no descuido que reside o grande risco. Se não procurar tratamento, o doente pode desenvolver acúmulo de gordura na região abdominal, que está diretamente relacionada a doenças como diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia. “Com isso, o risco cardiovascular aumenta bastante. É uma preocupação muito mais ampla do que uma disfunção erétil”, alerta.

De acordo com ele, mais de 25% dos homens com idade acima de 50 anos apresentam redução de testosterona. “Aos 80 anos, praticamente 80% dos homens têm deficiência hormonal”, frisa, salientando que a expectativa de vida do brasileiro, hoje, é de 74 anos. Em vista de uma população que está ficando cada vez mais idosa, a reposição hormonal torna-se um importante instrumento para que os homens desfrutem de uma velhice saudável. A clínica Integra Urologia e Saúde Integral fica na avenida Comendador José da Silva Matha, 3-30, no Jardim Estoril. Informações: (14) 3313-6740.

Palestra

O declínio hormonal que assola homens acima dos 50 anos é o tema da palestra de hoje, às 10h, na clínica Integra Urologia e Saúde Integral. A palestra será ministrada pelos urologistas Aguinaldo Nardi e Filemon Casafus e é aberta ao público. A entrada é um quilo de alimento não perecível, que será revertido à Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab).

O evento integra as ações do Programa de Prevenção, Apoio e Educação (Propae), desenvolvido pela clínica, para prevenir doenças e o envelhecimento saudável. O tema foi tratado ontem pelo endocrinologista Ricardo Meirelles e pelo urologista Ernani Rhoden, em evento para os médicos.

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Tratamento periódico

A reposição hormonal masculina deve ser feita periodicamente, com freqüência que varia de acordo com a necessidade de cada paciente. “A aplicação das injeções podem ser feitas a cada 10, 12 ou 14 semanas, dependendo do metabolismo de cada um”, explica o endocrinologista Ricardo Meireles.

Mas os urologistas alertam: nenhum paciente deve receber reposição hormonal sem ter realizado exames que comprovem a ausência de câncer de mama e de próstata. Isso porque as injeções de testosterona podem estimular o crescimento de tumores já existentes. “Mas é importante salientar que o hormônio não provoca o surgimento de câncer. Pesquisas já comprovaram que o risco para quem faz reposição hormonal é o mesmo da população geral”, informa o urologista Ernani Rhoden.

O urologista bauruense Aguinaldo Nardi, coordenador de campanhas públicas da Sociedade Brasileira de Urologia, lembra que há médicos especialistas na área que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que podem avaliar o grau de redução de testosterona nos homens. No entanto, os hormônios, até o momento, não são distribuídos gratuitamente. “O SUS ainda não está aparelhado para isso, mas o Ministério da Saúde está criando uma política de saúde do homem, que deve ser aprovada ainda este ano, com a criação de centros de saúde. Neles, certamente serão disponibilizados medicamentos para tratar disfunção erétil e declínio de hormônio”, frisa.

Ele lembra que, embora o declínio hormonal não seja considerado um problema de urgência, os gastos com a saúde pública em decorrência desta disfunção são enormes. “O tratamento preventivo reduz os riscos de fraturas e, por conseqüência, os gastos com cirurgias de órteses e próteses, além dos gastos com tratamento de outras doenças”, frisa.

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