Não sou infectologista, nem aprendiz de medicina caseira. De longe, no máximo, estou no mesmo rol de milhares de cidadãos comuns, sou mero leigo e espectador aflito com o possível alcance e propagação do chamado vírus H1N1 junto à população. Mas como o jornalismo colabora, cotidianamente, a ajudar a pensar, peço licença para partilhar com a comunidade dúvidas em relação à gripe tida como de origem a partir dos porcos. O primeiro estágio de intervenção das autoridades brasileiras para atuar em relação à gripe do vírus H1N1 foi, sobretudo, em relação às barreiras aeroviárias. Depois, vieram, em seqüência, a tentativa de isolar infectados ou pacientes suspeitos de contágio, aqueles que tiveram contato com outros cidadãos no Exterior.
Neste momento, o Ministério da Saúde adota como critério de intervenção o tratamento com internação somente para aqueles que apresentem quadro de diagnóstico grave em relação à doença. O que me pergunto, leigamente repito, é se as autoridades sanitárias do País podem explicar se é ou não mais eficiente combater a multiplicação viral logo no primeiro estágio de detecção de sua presença na célula.
Ou seja, não é mais eficaz “matar o bichinho” antes que ele não se torne gigante no corpo, como prega o atual protocolo do Minitério da Saúde, mesmo com medidas adicionais como o isolamento domiciliar gripal ou internação e tratamento para casos graves? Se o “remédio” Tamiflu funciona no corpo como inibidor do “N”, a letrinha do nome do vírus (H1N1), há sentido em se preocupar com o protocolo nacional de saúde? Meu raciocínio leigo indaga se a ação inicial não teria de ser o contrário: acionar a reação do organismo, através da droga, antes de eventual evolução para quadro grave?
Ou não vale para esta temática científica o conto de infância de que é melhor matar um bichinho no ninho antes que ele se torne Golias como corpo estranho no organismo, quando o exército de defesas (anticorpos) pode ter maior dificuldade em derrubar a multiplicação dos inimigos? Outro ponto é que o protocolo do Ministério da Saúde não adota estratégia de distinção entre áreas com transmissão comprovada com áreas onde não há casos da doença por circulação livre. Isso seria necessário como estratégia de combate à doença? Outro questionamento é, mesmo não sem sentido alarmista, saber se o País detém estoque da droga, ou seu componente, suficiente para enfrentar o aumento da demanda no tempo? Que os casos vão se multiplicar, infelizmente, é fato!
Como disse, não entendo nada de infectologia, mas a leitura do protocolo do Ministério da Saúde sobre a gripe suína me levou a raciocinar se, - além da trombada de cunho institucional do ministro Temporão na orientação aos brasileiros - para que evitassem viagens a países do Cone Sul -, o governo não está adotando critérios que atendam mais a questões corporativas de protecionismo contra eventual explosão de demanda em hospitais referenciados, do que a medidas de real interesse coletivo, de proteção, por antecipação, à vida. Que me desculpem os porcos, mas este assunto me cheira.
O autor, Nélson Gonçalves, é jornalista do Jornal da Cidade