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A caixa aqui está preta...

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

A maioria da população parece não perceber. Os estudantes da minha época já teriam saído em passeatas com faixas denunciando: existe algo de podre no reino da Dinamarca. Mas, as bolsas compraram o silêncio da classe estudantil. E os outros benefícios calaram muitas bocas. São quase sete anos de escândalos e nada. De repente a noticia sobre a Petrobrás e sua área de comunicação com 1.150 profissionais, a maior redação do planeta. Qual o objetivo de tamanha estrutura? Manter atualizado o blog da empresa ou blindar a nova CPI no Parlamento?

Todo brasileiro sabe o que é a Petrobrás, cuja função sempre foi buscar petróleo, desde a ditadura de Vargas. Hoje, ela financia projetos culturais, seleções olímpicas, festas de São João, além de perfurar poços com grandes profundidades, tais como os das reservas do pré-sal. Aparentemente, esse é só mais um escândalo, dentre outros que grassa pelo Planalto. O que se espera ao destampar a caixa preta da petroleira? A confirmação da denúncia da Foreign Policy: está acontecendo em escala mundial um moderno tipo de autocracia. No caso do Brasil, talvez gerenciada pela Petrobrás, pois tudo é possível nessa América Latina com vocação ditatorial.

A revista descreve regimes fortes disfarçados em democracias citando China, Irã, Paquistão, Rússia, dentre outros, como pertencentes à turma do soco na mesa. “A mais nova classe de governos autocratas é o mais sério desafio de um sistema baseado em leis, nos direitos humanos e na liberdade de expressão” afirmou a reportagem.

Os líderes desses países agem para distorcer a democracia e calar a oposição para manterem-se no poder. Eles sabem que o controle absoluto da informação é impossível, então adaptaram mecanismos coercitivos e subterfúgios. O discurso político é administrado por meio da edição de informações. Qualquer semelhança com Brasil ou Venezuela não é mera coincidência. Os governos compram influência internacional. Hugo Chávez através do subsídio de petróleo aos países amigos ou o auxílio prestado pelo Brasil a vizinha Bolívia. Maldade de minha parte, falar em socorro financeiro? Não, eu relato fatos. A Foreign Policy fala em autoritarismo e eu em autoritário, como sinônimo de dominação, imposição, arrogância. Essa é a postura dos nossos poderes. E com prorrogação ou não de mandatos, vai acabar tudo em pizza!

A autora, Janira Fainer Bastos, é articulista do JC

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