Reconstrução do partido. Esse foi o tema mais repetido durante o encontro regional de ontem organizado pelo PMDB. Do ex-governador e principal liderança do partido no Estado de São Paulo, Orestes Quércia, até o mais simples militante, o sentimento era o mesmo: a ala paulista do PMDB precisa se reestruturar urgentemente sob o risco de ficar menor do que está.
Para se ter uma idéia, atualmente o partido tem apenas três deputados estaduais: Baleia Rossi, Jorge Luís Caruso e Uebe Rezek. O quadro não é menos desanimador no Congresso Nacional, onde existem apenas três representantes paulistas na bancada do partido: Antônio Bulhões, Francisco Rossi e Michel Temer.
“Esse é o grande desafio do partido hoje em São Paulo, ou ele se reorganiza, ou vai se enfraquecer cada vez mais”, sentencia o prefeito Rodrigo Agostinho, presente no encontro de ontem. Até mesmo Orestes Quércia, figura máxima do partido no Estado, admite que as coisas não estão nada bem no PMDB. “É um partido muito grande, mas também um partido dividido, que precisa ser reconstruído para se fortalecer”, diz.
A necessidade de reconstrução foi reforçada pelo deputado estadual Baleia Rossi, de Ribeirão Preto, que compareceu ao evento de ontem em Bauru. A exemplo do prefeito Rodrigo, ele também disse que o partido está diante de um grande desafio. Segundo ele, para fazer o PMDB crescer novamente será preciso união e muito trabalho, especialmente com a base do partido.
O quesito união foi destacado também pelo ex-governador. “Nós precisamos nos unir e espero que isso ocorra o mais rápido possível, mas nessa eleição de 2010, acredito que não teremos condições de nos unir em torno de uma candidatura própria”, declara.
Enquanto isso não acontece, o PMDB vai costurando alianças para se manter no poder. Em São Paulo, ao contrário da indicação do partido em nível nacional, o PMDB se aliou ao PSDB e DEM, entre outros menores. Pelo acordo que resultou dessa aliança, o PMDB paulista apoiará as candidaturas tucanas para o governo federal e estadual. Em troca, PSDB e DEM darão apoio à candidatura do Orestes Quércia ao Senado.
Uma das formas de fortalecer o partido para as próximas eleições, na opinião das lideranças peemedebistas presentes no encontro de ontem, é o lançamento do maior número possível de candidatos a deputado. Mesmo que não vençam as eleições, tornariam-se conhecidos e aumentariam as chances para uma próxima tentativa.
Em Bauru, dois dos nomes cogitados para lançarem-se candidatos a deputado na eleição do ano que vem são os de Alex Gasparini, coordenador regional do PMDB, e do vereador Renato Purini. Gasparini estava presente ao encontro, mas Purini não compareceu e sua ausência foi notada pelo ex-governador. “Me disseram que ele seria uma das opções de candidatos, mas nem veio na reunião. Assim fica complicado”, cutucou Quércia. De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, Purini teria faltado ao encontro por causa de problemas pessoais.
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Candidato à reeleição
O prefeito Rodrigo Agostinho assumiu ontem, pela primeira vez, em entrevista após encontro regional, que já pensa na reeleição. Ao ser indagado se concorreria novamente a uma vaga como deputado, ele descartou a hipótese. Afirmou taxativamente que não será candidato na eleição do ano que vem e que sua pretensão é concorrer a um segundo mandato como prefeito.
Mas quando o assunto foi apoio na eleição de 2010, Rodrigo não foi tão firme nas respostas. Mesmo diante da presença da figura máxima do PMDB, Orestes Quércia, ele se mostrou indeciso. Questionado se seguiria a indicação do partido para a próxima eleição, ele decidiu ficar em cima do muro, com o argumento de que ainda é muito cedo para falar sobre isso e que ainda nem se sabe se o partido terá candidato.
Não é de hoje que Rodrigo alimenta a tese de que como prefeito não deveria se envolver no processo eleitoral do ano que vem, porque ele representa uma cidade e não apenas um grupo. Na verdade, como o próprio prefeito admite, ele está diante de uma “saia justa”. Enquanto seu partido, em nível estadual, apóia o PSDB, outra parte apóia o PT, que é o partido de sua vice, Estela Almagro, e o partido que lhe deu apoio na eleição municipal.