Tribuna do Leitor

Seria a suína?


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No dia 27 de abril passado, como faço todos os anos depois que dobrei o Cabo dos 60, fui a um posto de vacinação e tomei a respectiva antigripal. Tudo corria nos conformes até que por volta do dia 5 deste mês, ao levantar-me de uma cadeira, senti uma certa fraqueza nas pernas. Não dei maior importância, mesmo porque logo se firmaram. No dia seguinte, surgiram os primeiros sintomas de gripe: dores pelo corpo todo, febre e uma moleza que me fizeram cair na cama. Não tive dores de cabeça, nem garganta inflamada. Só febre alta e mal-estar generalizado. Não procurei médico. Comprei uns comprimidos de AAS e um antitérmico. Eu tenho uma grande vantagem: não perco o apetite, por pior que seja a gripe. Espremi uns dentes de alho com azeite e misturei na comida. Coisas de velho... Hoje, depois que tudo passou – fiquei uma semana com esses sintomas: dores fortíssimas, principalmente nos músculos do pescoço e dos braços e febre alta – examinei o caso. Se eu havia me vacinado, não saí do Brasil, que diabo de gripe era essa?

Dizem os entendidos que se você apanha uma gripe depois da vacina, é porque o vírus estava incubado. Dois meses de incubação, não é muito? Ligando uma coisa à outra: dia primeiro deste mês, estiva na Caixa Econômica Federal, ali do centro. Estava uma balbúrdia infernal, ninguém se entendendo: dia de pagamento dos funcionários municipais, mais a clientela normal da Caixa, mal se podia andar no saguão. Filas, filas e mais filas e eu fiquei uma meia hora numa delas. Pessoas falando, resfolegando, reclamando, na minha frente, dos lados, atrás. E, cinco dias depois, eis-me na cama. Dá o que pensar... Que não foi uma gripinha à toa, posso apostar. E agora dizem que o vírus da suína anda solto por aí. Sei lá...

Augusto de Oliveira Leme

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