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Qual é a função de maior relevância que cabe às escolas na atualidade?

Elaine Mussi Hunzecher Quaglio
| Tempo de leitura: 3 min

Ao estudarmos detidamente a história das civilizações percebemos que ao longo dos tempos criou-se por meio da educação - principalmente da educação escolar -, a cultura da exclusão, isto porque a instituição escolar ao longo de sua história concorreu e auxiliou para que perpetuassem a desigualdade entre as pessoas tanto quanto qualquer outra agência humana, pois a educação inobstante ser vista desde a antiguidade como mola propulsora para o desenvolvimento humano, ela não era para todos.

Nesse sentido, se a escola foi outrora palco para a disseminação das exclusões, não podemos duvidar que a mesma configura-se hoje num espaço privilegiado para a formação do ser humano de forma integral, ou seja, em todas as suas dimensões e por isso, devemos lutar pela implantação de uma cultura da inclusão, do respeito ao outro como ser único e especial e principalmente, cabe-nos lutar por uma educação que esteja embasada no tripé: acesso, permanência e qualidade.

Vivemos na atualidade momentos de profunda reflexão, especialmente, por constatarmos o aumento da violência, das discriminações, da intolerância, das exclusões. Muitas vezes nos perguntamos: como amenizar as mazelas que assolam nossa sociedade? Isso mesmo, perguntamos: como amenizar? Porque sabemos que não conseguiremos extirpar o “mal”, mas podemos fazer a nossa parte visando um mundo mais justo, fraterno e equânime.

Hoje em dia, inúmeros setores da sociedade falam sobre inclusão, tolerância a diversidade, mas, perguntamos: estamos realmente aptos a operar os mecanismos necessários para tanto? Qual o papel da escola que prima pela valorização da diversidade e que realmente pratica a inclusão no seu sentido lato? É correto utilizar o verbo “tolerar” quando falamos em respeito à diversidade?

Entendemos que a inclusão vincula-se a um movimento maior de inclusão social, e que devemos garantir o atendimento de todos os alunos por maiores que sejam as diferenças, pois a escola deve ser aberta para atender a diversidade de gênero, étnico-raciais, condições sócio-econômicas, intelectuais, físicas, etc, notadamente por percebermos que a política educacional inclusiva não é sinônimo de atendimento educacional somente voltado ao deficiente (sentido estrito do termo) e sim, para todos aqueles que apresentam necessidades próprias e diversas. Entendemos também que o verbo “tolerar” não é adequado quando falamos em inclusão, pois dá a conotação de que aquele que tolera é superior ao outro, quando na realidade somos todos iguais, e nesse sentido o verbo correto é: respeitar.

Portanto, a escola para além da preparação do aluno para o exercício da cidadania e para o trabalho, possui a relevante função social de formar os mesmos para a convivência harmônica na cultura global. A escola, enquanto instituição social capaz de operar mudanças dentro do âmbito da sociedade, deverá fundamentar sua ação no compromisso com a qualidade, não só em termos de conteúdo curricular oficial, mas também na formação da pessoa como um ser que não se repete e que necessita do outro para o seu crescimento, isto porque o homem é um ser de relação e é com ou outro que o mesmo se desenvolve. Nessa perspectiva a escola deverá também pautar sua ação no respeito à diversidade, pois o respeito para com o diferente é um dos pilares fundamentais para a construção de um sistema escolar inclusivo e de uma sociedade igualmente inclusiva. Deverá também pautar sua ação na solidariedade, visando a participação e cooperação daqueles que compõem a mesma, sempre primando pela autonomia e liberdade de seus alunos, e assim, somente assim, formará cidadãos críticos e reflexivos, aptos a agir em sociedade, também como seres capazes de operar mudanças.

A autora, Elaine Mussi Hunzecher Quaglio, é licenciada em filosofia, graduanda em geografia, especializanda em Planejamento Educacional e Docência para o Ensino Superior pela ESAB e em Atendimento Educacional Especializado pela Universidade Federal de Santa Maria

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