Na última semana lembramos os 10 anos do falecimento do professor e político André Franco Montoro, uma das mais expressivas personalidades da história política brasileira e paulista e que teve uma vida dedicada à democracia. Seu legado deveria ser seguido pelos atuais políticos.
Sério e íntegro, Montoro possuía uma força inabalável em suas convicções e convencia pela honestidade e pelo ardor da defesa de suas teses. Também era descen-tralizador e municipalista, sempre considerando a participação da população na solução dos problemas do Estado. Montoro chamou a sociedade para participar do seu governo em todas as áreas, após ter sido eleito como primeiro governador de São Paulo pelo voto direto após a ditadura militar, em novembro de 1982.
É importante ressaltar que, por iniciativa de Montoro, foi organizado em janeiro de 1984, no centro de São Paulo, o primeiro comício a favor de eleições diretas à Presidência da República, com a presença de mais de 300 mil manifestantes. Apesar dessa grande mobilização, que repercutiu em várias cidades brasileiras, a emenda constitucional que previa o pleito direto para presidente em novembro de 1984 não foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Mesmo assim, Montoro foi vitorioso em sua luta pela redemocratização do país, que viria cinco anos depois, em 1989.
É por essa e por outras brilhantes histórias da vida de Montoro que temos que reverenciar e perpetuar a memória de um verdadeiro político estadista, leal e coerente. Infelizmente, hoje faltam políticos como os ex-governadores Franco Montoro e Mário Covas, fundadores do PSDB. Sem desmerecer os demais políticos, lamento a falta de líderes na política nacional que orientem a sociedade com atos, como faziam Montoro e Covas, e não apenas com discursos demagógicos ou populistas.
O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual pelo PSDB