Economia & Negócios

Imóvel de até R$ 170 mil é o mais procurado por ser investimento seguro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Se para alguns setores da economia brasileira a crise financeira mundial chegou como um verdadeiro tsunami, para mercado imobiliário de Bauru, o impacto foi realmente uma marolinha. De acordo com entidades ligadas ao setor, por ser um investimento seguro, a compra de imóveis é muito procurada em tempos de instabilidade econômica. Imóveis de até R$ 170 mil são os mais procurados.

Muito mais do que sair do aluguel, o mercado imobiliário está aquecido principalmente para investidores que desejam rendimento sem risco. Fernando César Pegorin, diretor de Sindicato da Habitação (Secovi), destaca que um dos melhores investimentos é a aquisição de prédios comerciais para locação - ou imóveis residenciais em áreas com vocação comercial, para transformação em comércio.

“Atualmente, o investidor não vê seu dinheiro sendo valorizado em aplicações financeiras. Então, ele procura uma alternativa de investimento e a aquisição de imóvel em ponto comercial é muito atraente. A pessoa investe, recebe aluguel e vê uma valorização muito significativa de seu imóvel ao longo dos anos. A gente percebe que esse é um filão de ouro dentro do mercado imobiliário”, destaca Pegorin.

O dirigente pondera que ao contrário do que houve nos Estados Unidos – onde o setor foi o estopim da crise financeira - o mercado imobiliário no Brasil está indo muito bem. “No País, o imóvel de valor mais acessível passou a ser muito procurado. Acho que não existe crise no nosso setor. Vivemos até um bom momento, de movimentação grande e com muitos lançamentos acontecendo”, avalia.

Wânia Pôrto, proprietária de uma imobiliária na cidade, também exalta o bom momento que o setor atravessa em Bauru. “Com a instabilidade da crise mundial, as pessoas preferem aplicar o seu dinheiro em imóveis, que apresentam garantia de retorno. E se algum dia quiserem voltar ao mercado financeiro, podem vender o bem com tranqüilidade”, observa.

Ela destaca que aumentou a procura por imóveis de R$ 50 mil a R$ 150 mil, principalmente por pessoas que visam a locação posterior. “Bauru é uma cidade que cresce muito, que atrai muito investimento. Além disso, temos uma população de cerca de 18 mil estudantes, por isso a locação é muito fácil”, afirma.

Giasone Albuquerque, conselheiro estadual do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), avalia que a iniciativa do governo de estimular a compra da casa própria impulsionou o mercado. “Podemos afirmar que a crise não chegou ao setor. Em Bauru e em todo o País, o mercado caminha bem”, diz. “Acredito que não ficaremos imunes, mas não seremos tão afetados”, avalia.

Giasone acredita que apesar de estar aquecido, o mercado imobiliário brasileiro não corre o risco de repetir o caos americano. Ele explica que nos Estados Unidos, o setor sofreu uma expansão desenfreada, mas sem base. E quando veio a interrupção do fornecimento de crédito, o sistema entrou em colapso. “No Brasil as cosias são feitas de forma mais seguras. Os créditos são fornecidos de forma criteriosa, então esse crescimento é mais sustentável”, destaca.

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Oportunidade

Após planejar e economizar, o advogado e consultor imobiliário Augusto Fraga Zwicker adquiriu um apartamento há cerca de três meses. “O momento é propício devido à instabilidade internacional, que ainda vai demorar para passar”, diz. “O imóvel tem reserva de valor e ainda corrige algumas distorções inflacionárias”, destaca. Ele conta que resolveu vender sua casa e se mudar para o apartamento, no Jardim Cruzeiro do Sul, por questões de segurança, já que teve sua residência invadida.

“Adquirir um imóvel é um investimento seguro. Com o aluguel, você consegue um retorno de 1% ou 1,5% como renda, um valor muito bom”, avalia. “Além disso, não é arriscado, já que você não está sujeito a ataques especulativos que o mercado financeiro, mesmo em épocas sem crise, enfrenta”, opina.

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