Política

Alckmin rejeita disputa para sucessão

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Durante passagem por Bauru, ontem, após a assinatura de convênios para implantação de cursos técnicos na região, o ex-governador e secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), um dos cotados para concorrer a uma vaga ao governo paulista em 2010, negou ontem a existência de disputas internas no PSDB e afirmou que a escolha dos nomes para as eleições de 2010, que irão definir o novo presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais, deverá ocorrer até o início de 2010.

Na opinião do secretário, que estava acompanhado do deputado estadual Pedro Tobias, a antecipação das discussões sobre os prováveis pré-candidatos do partido acaba comprometendo o trabalho do atual governador José Serra. “Eu sempre tenho colocado que a eleição é em ano par. E nós estamos em ano ímpar”, afirma. “Este ano é o ano de suar a camisa, acordar cedo e trabalhar ao máximo em benefício da população”, fala, para desviar da discussão eleitoral. A candidatura à sucessão de Serra também é pretendida pelo secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira.

Alckmin defende que, até o início de 2010, todos os nomes de pré-candidatos da legenda que irão disputar uma vaga nas eleições de outubro já estejam definidos, começando pelo quadro nacional e, em seguida, pelos Estados. “No caso do Estado, ela (pré-candidatura) só vai se resolver depois do quadro nacional até porque o governador de São Paulo é o candidato natural à reeleição”, avalia. “Eu acredito que o Serra será candidato a presidente da República. Mas essa não é uma decisão a ser tomada agora”.

O secretário descarta a ocorrência de disputas internas no partido devido ao grande número de cargos a serem preenchidos no próximo pleito. “Tem espaço para acomodar todas as pretensões”, diz. “Eu não acredito em disputa. Acho que isso vai caminhar naturalmente para as chamadas soluções naturais”.

Na opinião dele, os nomes dos pré-candidatos devem estar definidos antes mesmo da convenção nacional do partido, marcada para junho de 2010. “Eu acho que nós vamos para a convenção com candidaturas definidas e uma importante aliança. Acho importante alianças com o DEM, com o PMDB e, se possível, PPS também”, afirma. “A base aqui em São Paulo é grande. Mas também precisa haver uma compatibilidade com o quadro nacional”.

Em nível nacional, Alckmin revelou que o PSDB vem atuando no sentido de unir o atual governador de São Paulo, José Serra, e o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, em torno de uma possível candidatura “chapa pura” à presidência da República.

Ele não acredita, contudo, na chance de Aécio disputar sozinho o cargo de presidente. “O que o governador José Serra tem colocado coerentemente é que ele não definiu se é candidato”, diz. “Mas ele é um candidato natural pela liderança que tem no Brasil, pela pesquisa de voto e pelo fato de ser governador de São Paulo. É um conjunto de fatores”.

Em relação ao episódio de 2006 que resultou na reeleição do presidente Lula e na vitória de José Serra ao governo do Estado de São Paulo, o secretário ressalta que acertou ao defender sua posição.“Minha tese era que eu não podia mais ser candidato a governador e podia ser candidato a presidente. E o Serra, que não tinha sido candidato a governador, poderia ser candidato a governador”, conta.

Se isso não tivesse ocorrido, de acordo com ele, o PSDB poderia ter perdido não somente no Brasil, mas também no Estado de São Paulo. “Eu entendo que o candidato do PSDB em 2010 tem grandes chances de ganhar a eleição até porque o presidente não é candidato. E aí a eleição fica mais equilibrada”, avalia.

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