Esportes

Santos: Luxa chega e promete Libertadores

Sanches Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Vanderlei Luxemburgo teve recepção digna de grande campeão na apresentação para a sua quarta passagem pelo Santos, ontem. O anfiteatro do Hotel Recanto dos Alvinegros, junto ao Centro de Treinamentos Rei Pelé, ficou lotado pelos principais dirigentes do clube e jornalistas. Membros das torcidas organizadas foram barrados no portão.

Ao contrário das vezes anteriores, o técnico chega sem projetos mirabolantes e nem falou de conquista de título. Agora o seu desafio é tirar o time do 13.º lugar na classificação, consertar a defesa mais vazada do Campeonato Brasileiro - com 26 gols sofridos -, acabar com os rachas no elenco e recuperar a confiança dos jogadores, principalmente das promessas Neymar e Paulo Henrique Lima. Até o seu contrato é bem mais modesto: cinco meses.

“O que eu prometo é trabalho. Mas tenho certeza de que vou colocar o Santos na Libertadores”, prometeu Luxemburgo, adiantando que até já conversou com o presidente Marcelo Teixeira quanto à possibilidade de esticar o contrato por mais um ano. “Com a vaga na Libertadores, tenho certeza de que estarei dentro em 2010”, previu.

Quanto à contratação de reforços, durante a coletiva de imprensa Luxemburgo chegou a brincar com Teixeira ao responder se no bolo santista não estaria faltando a cereja prometida pelo presidente. “Solta a cereja aí, Marcelo”. E o dirigente retrucou que no lugar da cereja ele contratou o chantilly, apontando para o técnico.

Luxemburgo ponderou que é arriscado demais repatriar brasileiros que estão na Europa porque eles estão em período de férias, demoram a entrar em forma e não há garantia de que vão jogar bem “Além disso, é um custo alto para 18, 20 jogos”, alegou. “O Santos tem uma geração muito boa com Neymar, Paulo Henrique Ganso e alguns juvenis. Pode ser que a cereja esteja aqui dentro”.

Segredo

Como qualquer assunto envolvendo dinheiro é segredo impenetrável no Santos, não se sabe o quanto Luxemburgo vem ganhando. Ele revelou que estava pescando do lado argentino da Foz do Iguaçu, dois dias depois de Vágner Mancini ser mandado embora, quando recebeu a primeira ligação telefônica de Teixeira. E não revelou mais nada.

A impressão é de que ele sempre foi o plano A do presidente. Fala-se que o clube vai pagar R$ 450 mil mensais ao grupo. A Luxemburgo caberiam R$ 350 mil por mês e os outros R$ 100 mil seriam destinados aos seus três companheiros de comissão - o preparador físico Antônio Mello, o auxiliar de preparação física Lulinha, filho do presidente da República, e o auxiliar-técnico Nei Pandolfo. Ficaram para trás a nutricionista Patrícia Teixeira, o fisiologista Cláudio Pavanelli, o treinador de goleiros Cantarelle e o cinegrafista Alexandre Ceolin, entre outros.

Luxemburgo perdeu o bom humor apenas uma vez na coletiva ao responder se não estaria voltando em baixa para o Santos, após ser demitido pelo Palmeiras. “Minha história no Palmeiras é bonita. Saí por uma divergência. O diretor interpretou uma entrevista do jeito que ele quis. Como sou boleiro, usei o termo de boleiro. Por isso falei que era barriga de aluguel e ele ficou chateado. Mas fui campeão paulista com um time que estava há 11 anos sem ganhar. Se estivesse por baixo, Marcelo não me contrataria nunca”, afirmou.

A respeito de sua suposta idéia de se candidatar ao Senado por Tocantins nas eleições de 2010, Luxemburgo disse que quando a pessoa vai ficando mais velha tem que pensar no que fazer no futuro. “Tenho um projeto lá para as pessoas jogarem bola, que foi encampado pelo pessoal do Estado. Mas, a gente não sabe o que vai acontecer amanhã”, concluiu.

Fábio Costa

Fábio Costa é visto como exemplo de profissional por Vanderlei Luxemburgo e pelo presidente santista, Marcelo Teixeira. Apesar das brigas com Fabiano Eller e Eduardo Bahia (treinador de goleiros), de ter ameaçado agredir o garoto Paulo Henrique Lima, o técnico e o dirigente justificam os privilégios que o goleiro tem no clube. “O que Fábio Costa tem no Santos não são regalias. São direitos adquiridos. Gostaria de ter vários Fábios Costas”, disse o treinador. “Ele tem história no clube. Privilégio é querer ser diferente e se recusar a trabalhar”, acrescentou.

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