Internacional

Zelaya defende ‘insurreição’ em Honduras

Fabiano Maisonnave
| Tempo de leitura: 2 min

Tegucigalpa - Em resposta ao fracasso das negociações na Costa Rica, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse ontem que o diálogo está “esgotado” e voltou a exortar os seus seguidores a promover uma “insurreição” contra o governo interino de Roberto Micheletti. “Estarei em Honduras e continuarei fazendo tudo o que tiver de fazer (...) até que esse grupo usurpador do poder tenha de se submeter às ordens que deu a comunidade internacional”, disse Zelaya, em Manágua.

Apesar da retórica, Zelaya deu sinais de que não tentará voltar a Honduras antes de quarta, quando terminam as 72 horas pedidas pelo presidente costa-riquenho e mediador dos diálogos, Óscar Arias, para resolver o impasse. A opção mais cogitada, segundo informou um assessor de Zelaya à reportagem, é reunir milhares de simpatizantes na fronteira com a Nicarágua para recebê-lo. A data mais provável do retorno é na sexta. Desde a deposição de Zelaya, há 23 dias, simpatizantes do presidente deposto vêm realizando protestos diários no país, mas sem conseguir objetivos mais radicais, como fechar as fronteiras com o país vizinho e realizar uma greve geral.

Apesar da tensão e do toque de recolher durante a maior parte dos dias desde a deposição, o comércio tem funcionado normalmente e não há registro de desabastecimento em artigos de primeira necessidade, como combustíveis. Micheletti voltou a dizer ontem que não há hipótese de que aceite a volta de Zelaya ao poder. Em mais uma demonstração de que tem apoio interno, o presidente interino reuniu na sede do governo dezenas de empresários, políticos e outros simpatizantes.

Embora esteja isolado externamente, o governo interino é respaldado pelos demais poderes, pela cúpula dos principais partidos políticos, pelas Forças Armadas e pela influente cúpula da Igreja Católica no país.

Micheletti também ratificou que haverá eleições presidenciais em 29 de novembro, apesar de a Organização dos Estados Americanos (OEA) já ter dito que o resultado não será reconhecido caso Zelaya volte à Presidência. A crise política teve início em março, quando Zelaya anunciou a intenção de convocar uma Assembleia Constituinte. Opositores e membros de seu próprio partido viram na proposta uma tentativa de permanecer no poder.

A Comissão Européia anunciou ontem o congelamento de um fundo de ajuda orçamentária destinada ao governo de Honduras. A medida foi tomada em represália ao fato de não ter sido alcançado um acordo à crise política local nas negociações do fim de semana na Costa Rica.

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